quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mochilão na Europa - preâmbulo

Disse uma vez o escritor americano Charles Bukowski: "Minha alma embriagada de cerveja é mais triste que todas as árvores de natal mortas do mundo". Eu porém discordo. A minha alma embriagada de cerveja é feliz, ah como é feliz.

O velho Buk tomando uma


Mas antes que alguém se assuste, essa frase foi escolhida porque representa um bom preâmbulo, e quando citamos outros escritores os nossos textos sempre ficam com uma boa aparência. Mas falemos do que é para ser falado: sobrevivi. Sim, foi uma bela e cansativa viagem, mas com muitos ensinamentos, que levarei para o resto da vida. Por exemplo, aprendi que a palavra “tack” quer dizer Obrigado em sueco e dinamarquês. Da mesma forma, “Öl” e “Øl” significam Cerveja, respectivamente nas mesmas línguas. Por isso, depois de comprar uma Öl, diga tack.

O que eu queria com esta viagem?, perguntaria algum fantasma distraído. Respondo: relaxar, descansar do estresse, conhecer novos países, observar novas culturas, saborear novas gostosuras, enfim, exercitar os cinco sentidos em outras paragens. Mas aos poucos vocês verão, de acordo com o desenvolvimento do meu relato, a razão da cerveja merecer estar nas primeiras linhas.

É inegável que quanto mais o final da viagem se aproximava, maior era a vontade de largar tudo pra viver em Praga ou Estocolmo, mas algumas coisas me fizeram pensar melhor e voltar a Pisa pra terminar o meu master em tradução:

1- o inverno nessas cidades com temperaturas ao redor dos 20 negativos;

2- eu ia demorar muito tempo pra aprender tcheco ou sueco, e até lá viveria desempregado, que no inverno significaria morrer de fome e de frio.

3- mesmo a escravidão pode ter seu lado bom, se exercida em temperaturas relativamente agradáveis. (N.do autor: escravidão, nesse contexto, significa estágio obrigatório não remunerado sem tempo pra ter um segundo emprego pra ganhar dinheiro).

No final, já conformado em voltar à vila Pisa, aconteceu o inesperado, que provavelmente não será perdoado por alguns fantasmas: perdi a máquina fotográfica (ou me roubaram), com as quase 500 fotos de todos os lugares que passei nesses 18 dias de viagem. As cervejas de Bruxelas, as ilhas de Estocolmo, as loiras de Copenhagen, as torres de Maastricht, as peladas em Berlim, o Castelo e as aventuras em Praga. Tudo desaparecido, cancelado, anulado, apagado, varrido da face da terra.

Estocolmo, vista do alto


Mas tudo bem, a vida segue seu rumo, e esse relato, esperemos, sirva alguma coisa para o bem estar da humanidade. Com alguma (ou muita) sorte, encontrarei minha máquina nos achados e perdidos da companhia ferroviária.

No meio tempo, ilustrarei com fotos do google essa coisa doida que é viajar de trem pela europa, com uma mochila nas costas e nada na cabeça. A não ser o boné pra não queimar a careca.

Até a próxima,

Zaratustra

7 comentários:

  1. Começou bem. Agora é esperar a continuação.

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  2. Muy bien muchacho, pero aguardamos más!

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  3. Ahhh, você é doido mesmo, nem haja dúvidas, mas um doido muito legal...
    Quem sabe vai encontrar um amigo que lhe tirará fotos com a sua máquina e as fotos nem s
    e perderam todas, mas que dor de cabeça...ahhh minha nossa, o que eu ri.
    Valeu a pena.
    laura

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  4. Your pics are not lost they are now part of something much bigger, much deeper inside the the fantasies built in your mind. A memory can be just a memory or it can become the pleasures you shall live forever after.(La Luna).

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  5. Bah... perder a câmera com todas as fotos... que trágico... hehe... mas que nada...

    cara, um dia quero fazer uma aventura como essa...quem sabe aqui pelo brasilzão mesmo... hehe...

    abraço ae manolo!

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  6. Porra alemão, se tu fica careca já não vai mais ser alemão... Enfim. " e quando citamos outros escritores os nossos textos sempre ficam com uma boa aparência", acrescentaria que, quando citamos outros escritores na internet aumentam as chances de alguém encontrar nossos textos no google...
    porra alemo!

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