terça-feira, 22 de março de 2011

O abacateiro eterno e outras histórias


Vendo as estatísticas deste blog do último ano, descobri várias coisas interessantes: 2.766 pessoas diversas visitaram meu blog, atingindo a média de 7,58 pessoas por dia. Cada uma ficou, em média, 2 minutos e meio neste humilde espaço. Nada mal. Destes visitantes, a grande maioria é do Brasil (2.016 pessoas), seguido pela Itália (517), Portugal (134), Alemanha (16) e Estados Unidos (12). Mas também tive visitas de lugares inóspitos como Marrocos, Arábia Saudita e República Tcheca (uma cada). 

Dos meus posts, o mais lido foi escrito anos atrás: trata-se do Exame psiquiátrico pré-admissional (publicado aqui em 2007, mas escrito em 2003 pro meu falecido primeiro blog) e é fácil deduzir que o povo chegou aqui porque, provavelmente, também passaria por tal tormento. Em segundo lugar, esse confesso que não faço a menor idéia do porquê, está o post O meu abacateiro, no qual falo do Aleph. Do original, de Jorge Luis Borges, não do plágio de Paulo Coelho. O terceiro lugar foi para uma paródia meio sem-graça da lenda do Minotauro, que chama-se O corno de Creta. Com execeção do primeiro, os outros dois originaram-se da leitura de livros do Borges. Uma estranha coincidência, porque justamente agora estou com outro em mãos.

Borges
Lendo o livro História da Eternidade do mesmo Borges, deparei-me com temas que, ao menos para mim, são interessantes: a própria Eternidade do título; a hipótese do Eterno-retorno, que ficou famosa com Nietzsche (saúde!); a existência de universos paralelos, entre outras maluquices.

Graças a isso e a várias citações e indicações de leituras feitas pelo próprio Borges, desemboquei em outros escritores e filósofos que eu pouco conhecia, em áreas que eu jamais teria imaginado: física, química, matemática aplicada à filosofia, metafísica, entre outras piras.

Um desses é o filósofo inglês Bertrand Russell. Aliás, talvez seja um modo de remediar minha aversão inconsciente ao mundo anglófono. Pois bem, decidi começar me embrenhando na obra de Russell, e tive uma agradável surpresa. Ainda estou longe de chegar na parte em que ele fala de filosofia matemática, que é o que interessa falando de eternidade, mas lendo pequenos excertos que encontrei na internet já me iluminaram.

Russell
 Graças a isso, baixei na internet vários livros em PDF (pra alguma coisa a internet serve), inclusive sua autobiografia.  Apenas comecei, mas é um texto muito bom de se ler. Por causa de sua ligação com a matemática, Russell explica em um texto que remexe as frases que escreve de todos os modos até que consiga dizer o que quer da forma mais clara e mais simples possível. E acaba tornando a filosofia palatável. Por essas e outras o rapaz ganhou o Nobel de Literatura em 1950.

Sua obra fala, principalmente, de lógica, religião, política e moral. Conheceu e foi amigo de grandes intelectuais nos quase cem anos em que viveu (1872-1970), de Einstein a Sartre, pra citar só dois.

Russell parece interessante. Mas é somente um pequeno passo rumo à eternidade. Se eu conseguir manter meu entusiasmo, vou ler também Aristóteles, Platão, Santo Agostinho, o físico Arthur Stanley Eddington (tradutor da obra de Einstein para o inglês e grande propagador da Teoria da Relatividade), provavelmente quase toda a obra de Borges e de seu companheiro Adolfo Bioy Casares, além de ter de ler e reler várias coisas do Nietzsche (saúde!), e o que mais eu achar no caminho. Tudo isso para, no final, poder pôr em prática a minha Teoria da Eternidade, que se encontra em fase de incubação.

Entre as minhas peregrinações por vários sites da internet, descobri que um dos símbolos usados para representar a eternidade (e não só ela) é o Ouroboros, uma cobra ou um dragão que devora o próprio rabo.



E de repente tudo começa a fazer sentido. A capa do vinil dos Engenheiros do Hawaii, onde a cobra come o próprio rabo. E o conto sobre o abacateiro, citado lá em cima, onde minha cadela, monstra doida canina, corria atrás do próprio rabo. Eram sinais. Sinais de que estou no caminho certo.

Mas a verdade é outra. E diversa.

6 comentários:

  1. Gostei do Bertrand Russell em Elogio ao Ócio =)

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  2. E dae maluco.... faz tempo que não venho aqui... seu blog tá cada vez melhor! Tá na Itália ainda? A Europa me encantou... quero voltar em breve.Traduz mais poemas aí que eu ando pra lá de poesia....

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  3. porra alemão! vim aqui passar conjuntivite via internet... porra! eu não sei até hoje ver quantas pessoas acessam meu blog, etc e tal, mas um dia eu chego lá! estou no caminho certo só pelos engenheiros, pois o Russel eu nunca li. enfim, mudando de assunto, descobri, lendo o Notícias do Planalto, que o PC Farias tinha um objetivo em comum contigo: conquistar o primeiro milhão de dólar antes dos 30. se lhe serve de incentivo, ele conseguiu... euheuhehue
    porra alemão! abraço

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  4. Porra alemão! Na minha modesta trjetória de leitor,na adolescência, tentei ler um dos grandes filósofos (Sócrates, Aristóteles, Platão, não lembro qual...)e talvez pela idade ou porquê de fato é, achei muito chato e intrincado, acabei desistindo no meio do primeiro livro. Mas como fundamentação para a tua própria teoria da eternidade deve servir, em frente à hercúlea tarefa!!!
    Com muita vitamina de abacate, bem entendido!
    Porra alemão!

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  5. Não querendo zoar os alemãos colegas blogueiros, já estou com 4060 acessos no meu blog!
    Um pouco é graças a vocês...
    Abraço, porra alemão!

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  6. acho Borges genial, Zaratustra. nem tanto por sua obra ficcional, mas pela infinidade de artigos e ensaios literários que produziu. um inigualável garimpeiro e recontador de estórias.

    já que você deu a deixa, aproveito para baixar a lenha no autor do segundo Aleph. ele sempre esteve na cola do Borges. uma vez foi à Argentina especialmente para entrevistá-lo. levou a tiracolo uma namorada, que é minha amiga e competente jornalista. ela se preparou longamente para a entrevista, lendo ou relendo tudo que põde de e sobre Borges. mas o projeto gorou, porque o escritor simplesmente recusou-se a recebê-lo. no entanto, na biografia do "mago" escrita pelo Fernando Morais consta, segundo informação do biografado, que a entrevista foi feita. mais uma lorota do leporino charlatão...

    abraço

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