Ontem o Humberto Gessinger esteve em Londrina, batendo um papo com a galera e dando autógrafos para os interessados, lançando seu novo livro (o terceiro), Mapas do Acaso, que fala um pouco da sua vida e da carreira com os Engenheiros do Hawaii, comentários sobre letras e etc.
A foto ao lado ficou uma merda e sabe lá porque razões o cara resolveu autografar a capa, ao invés da primeira página do livro. Talvez porque a foto da capa também tenha ficado uma merda. Rabiscou tudo e escreveu, com caneta hidrográfica:
Valeu, Gérson!
1berto
Resultado: hoje borrou a capa inteira enquanto eu a segurava, num gesto banal de quem lê livros. A foto do Gessinger ficou parecendo o Curinga do Batman, todo borrado. O meu dedo ficou azul. Uma maravilha.
É um livro pra quem gosta de Engenheiros, até porque quem não gosta nunca compraria um cd, imagina um livro. Foi uma pena que tive a ideia de trazer meus vinis para autografar apenas alguns minutos antes de tudo começar, o que foi fatal. Fiquei sem meus oito vinis autografados, mas ganhei uma capa borrada. Melhor que nada.
Um dos primeiros LPs que ganhei, lembro-me até hoje, foi O papa é pop. Era o ano de 1990, eu tinha 9 anos, morava em Caxias do Sul e escutava na rádio diariamente a versão Hawaiiana de Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones, regravação do sucesso da banda Os Incríveis da Jovem Guarda (que por sua vez é uma versão de uma música italiana de 66 interpretada por Gianni Morandi).
Sei que ganhei o disco e pirei. Ficava horas e horas ouvindo, lendo o encarte e tentando entender frases como "A violência travestida faz seu trottoir". Talvez por causa da idade, decorei as músicas sem pensar muito no que diziam, e volta e meia, até hoje, acontecem "estalos" de entedimento. Nos anos seguintes, já devidamente morando na minha cidade natal, fui adquirindo outros LPs com a mesada, isso quando eu não a gastava inteira nos fliperamas, enquanto matava aula. Lembro de ter feito um trato com meu primo Alemão de Santo Ângelo em que cada um compraria um vinil diferente a fim de completar mais rápido a coleção, em seguida gravaríamos os vinis faltantes um do outro em fitas k7, para poderem ser reproduzidas em nossos walkmans. Mas o trato foi por água abaixo quando vim morar no Paraná.
Eu tinha 14 anos, já tinha visto shows do Barão Vermelho e do onipresente Jimmy Cliff no interior do Rio Grande. Porém fui ver de perto os Engenheiros do Hawaii pela primeira vez somente em Maringá. Era o ano de 2001 (ou seria 2002?). De lá pra cá, mais dois shows em Arapongas e um em Londrina, no Moringão.
Já fui mais fanático. Quando criança, uma das brincadeiras na qual eu passava horas e horas, tardes, dias, era pegar as músicas dos Engenheiros e criar letras novas em cima. Eu me divertia com isso. Lembro de algumas de minhas pérolas musicais até hoje, que por bom senso a para preservar a saúde mental dos poucos leitores que se dignaram a chegar até aqui, não reproduzirei neste blog.
Com a chegada da adolescência coincidindo com a chegada em uma cidade maior, comecei a ouvir outras coisas, a maioria um punk pop rock dos anos 90, como Green Day, Offspring, Bad Religion, Pennywise entre outros, e abandonei os Engenheiros por bons anos. Até ouvir novamente, já perto dos vinte, e ver que ainda eram bons pa carai.
Hoje não sei. A fase áurea - quem gosta sabe - foi com a formação clássica, que durou até 93. Mas acho discos como Simples de Coração de 95 e o primeiro Acústico MTV geniais. Porém uma sequencia grande de discos ao vivo como ali, que foram 3 ou 4, ficou meio chato. Agora, com o Pouca Vogal, mudou tudo. Mas mesmo nos piores discos, como Minuano e Dançando no Campo Minado, alguma pérolas sempre encontramos.
E apesar de ter um livro borrado e com a capa rabiscada, o que mais importa é a música. Ei-la:
E tenho dito.
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quinta-feira, 21 de abril de 2011
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Esboços
Na página 107, o personagem relatava: "sinto que atingi o ápice, a sabedoria, a compreensão de tudo. Compreendo o mundo, compreendo o que as pessoas pensam, até mesmo as razões pessoais para suas brigas e guerras. Entendo as razões, como entendo a motivação dos assassinatos, como entendo o papel da burocracia na pós-modernidade e a exasperação dos politicos e seus adversários. A ânsia da imprensa e suas segundas intenções, as corrupções e fraudes, mas também compreendo o voluntariado, a existência do amor e da esperança, da honestidade. O carinho e a ajuda de pessoas comprometidas com os outros, entendo tudo e todos, os bons e os maus, o que os motiva e o que os leva a serem o que são e a agirem como agem. Entendo o mundo, sim, estou ali em cima, vejo das alturas a humanidade explicada, mas eles não me compreendem e não compreendem uns aos outros. Ter a consciência de tudo, inclusive a consciência de saber que nunca serei compreendido, ao contrário do que um dia imaginara, me causa apatia, me deixa inerte, sentado no topo do mundo, desmotivado. Fico ali, parado, vendo o mundo passar, sabendo que nada posso fazer, e mesmo que tente fazer alguma coisa, são os outros que não conseguem se compreender, e por isso também não me compreenderão. Estou condenado à sabedoria e à solidão, pois a sabedoria possui uma característica intrínseca que é a de isolar o seu possuidor. Come se fosse uma maldição, por tê-la alcançada."
Na página 108 não existia mais personagem.
Na página 108 não existia mais personagem.
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
Matemática e outros causos
Muito embora eu tenha trabalhado durante 5 anos num banco, nunca gostei muito de matemática. Porém confesso que a habilidade e a convivência diária com os números melhora realmente o raciocínio lógico. Isso se você não enlouquecer antes.
Dias atrás comecei a fazer as contas. Não as contas que devo pagar mensalmente, mas comecei a contar, num simples momento de ócio - coisa rara ultimamente - as cicatrizes que detenho pelo corpo, quase todas adquiridas durante a infância, e as histórias que só a elas pertencem. Muito curiosas, por sinal.
Um exemplo: creio que a primeira em ordem cronológica foi a que tenho na sobrancelha. Parte esta da anatomia humana que desde pequeno chamo de sombrancelha com M, ao contrário do que relata o meu amigo Aurélio, que prefere a primeira opção. Isso tudo por questões de preferência estilística. Ou licença poética. Escolham vocês.
Enfim, eu devia ter no máximo uns 6 anos, porque ainda ia à pré-escola. Meu pai, quando jogava na loteria, sempre me pedia pra escolher os números, e foi isso que fiz. Um jogo era sempre o meu, outro da minha irmã. Um dia, chegando em casa, meu pai disse que eu tinha acertado a quina, e tava rico. Comecei a pular de alegria. Embora pra mim rico seria provavelmente o suficiente pra comprar alguns brinquedos que eu queria e outras baboseiras pra comer. Pulei sem direção e sem prestar muita atenção no que fazia até que, em um desses saltos, pisei numa bola que estava por ali justamente para ser pisada, e bati com a testa num degrau. Só depois descobri que era uma brincadeira do meu pai. Mas querendo ou não, a quina eu acertei. A quina do degrau. Cinco pontos na sombrancelha, cujo prêmio, pra toda vida, foi uma cicatriz.
Algumas vezes abri o joelho durante a infância, mas são tantas cicatrizes uma em cima da outra que nem se percebe mais. Parece um joelho (ou dois) normais. Já na adolescência, apesar de eu sofrer gravemente com a acne e não ter dó de espremer aqueles minivulcões da minha face, por algum motivo inexplicável não fiquei marcado.
Incontáveis vezes cortei os dedos e a mão com papel, inclusive contando dinheiro no banco (quem disse que dinheiro não faz mal a ninguém?) mas creio que nenhuma dessas vezes foi suficientemente profundo pra deixar uma cicatriz. Hoje em dia, no hotel em que trabalho na Itália, não passo mais de uma semana sem cortar os dedos com o papel. Esse é um dos problemas das pessoas sistemáticas...
Mas creio que o caso mais insólito é de uma cicatriz que tenho no dedo indicador da mão. E não digo em qual das mãos a cicatriz está, porque ela passa de uma mão para a outra quando bem quer. Neste momento está na direita, mas nada posso garantir até amanhã.
Durante muito tempo, eu tive quase certeza absoluta que essa cicatriz (à época sempre no dedo da mão esquerda) tivesse ocorrido durante uma pescaria no sítio do meu falecido avô, onde sempre eu passava minhas férias escolares, às vezes sozinho, às vezes com meus primos, desbravando o mato e pescando. Numa dessas pescarias - de lambaris, óbvio, com caniço de taquara (bambu para os leitores do Paraná pra cima) - eu teria, distraidamente, deixado que o anzol se enroscasse no meu dedo e fizesse essa pequena curva perto da dobradiça do meio. Passei anos contando aos colegas dos colégios onde passei, vangloriando-me como se fosse uma cicatriz de guerra, conseguida com um anzol. Ledo engano.
Muitos anos depois, sabe lá por que desrazões da memória, me lembrei o que de fato havia acontecido. Eu e um colega de classe, como todos aqueles da nossa idade, tínhamos cada um seu canivete. E a brincadeira era aquela de, rapidamente, como uma das mãos bem aberta, fazer com que o canivete batesse entre os vãos de cada dedo, o mais rápido possível. Eu era craque nisso e então, com a mão esquerda aberta, comecei os movimentos, ritmados e lentamente aumentando de velocidade. São nessa coisas estúpidas da vida que se percebe o quanto a notoriedade faz bem ao ego. E também o quão fácil é transformar essa vanglória (já diz o próprio nome: vã glória) em arrogância, para em seguida precipitarmos no poço obscuro do ridículo. E é aí que também aprendemos, normalmente a contragosto, como se joga sujo.
Um desafeto, sabendo que eu gostava de uma guria chamada Débora (sinto cheiro do seu perfume até hoje), disse que ela estava vindo. Comecei a suar, enquanto lutava para não errar as batidas e a galera contava pra ver se eu ultrapassava o recorde vigente. Num momento de esperança, estiquei os olhos ao lado pra ver se ela estava ali, e o canivete cortou fora metade do meu dedo. Me sentia como Lula, se àquela época eu o conhecesse e soubesse que era manco dos dedos. Mas não pensei em virar presidente, nem em colar novamente o dedo, só queria que Débora não tivesse visto.
Só quando vi que ela não estava por ali foi que peguei a ponta do dedo e o forçava contra o cotoco, enquanto um outro colega enrolava tudo com um pano. Não lembro dos dias que se passaram depois, nem se fui a um hospital (creio que sim), mas talvez o trauma de tudo isso tenha me levado a acreditar, por anos, a origem errada da cicatriz.
A cirurgia, muito bem feita por sinal, me deixou com poucas marcas e a articulação do dedo indicador não sofreu limitações. A única coisa estranha é quando a cicatriz muda de uma mão à outra. Às vezes sonho com um disco voador. Curiosamente, desde então, meus polegares têm o movimento restrito.
Dias atrás comecei a fazer as contas. Não as contas que devo pagar mensalmente, mas comecei a contar, num simples momento de ócio - coisa rara ultimamente - as cicatrizes que detenho pelo corpo, quase todas adquiridas durante a infância, e as histórias que só a elas pertencem. Muito curiosas, por sinal.
Um exemplo: creio que a primeira em ordem cronológica foi a que tenho na sobrancelha. Parte esta da anatomia humana que desde pequeno chamo de sombrancelha com M, ao contrário do que relata o meu amigo Aurélio, que prefere a primeira opção. Isso tudo por questões de preferência estilística. Ou licença poética. Escolham vocês.
Enfim, eu devia ter no máximo uns 6 anos, porque ainda ia à pré-escola. Meu pai, quando jogava na loteria, sempre me pedia pra escolher os números, e foi isso que fiz. Um jogo era sempre o meu, outro da minha irmã. Um dia, chegando em casa, meu pai disse que eu tinha acertado a quina, e tava rico. Comecei a pular de alegria. Embora pra mim rico seria provavelmente o suficiente pra comprar alguns brinquedos que eu queria e outras baboseiras pra comer. Pulei sem direção e sem prestar muita atenção no que fazia até que, em um desses saltos, pisei numa bola que estava por ali justamente para ser pisada, e bati com a testa num degrau. Só depois descobri que era uma brincadeira do meu pai. Mas querendo ou não, a quina eu acertei. A quina do degrau. Cinco pontos na sombrancelha, cujo prêmio, pra toda vida, foi uma cicatriz.
Algumas vezes abri o joelho durante a infância, mas são tantas cicatrizes uma em cima da outra que nem se percebe mais. Parece um joelho (ou dois) normais. Já na adolescência, apesar de eu sofrer gravemente com a acne e não ter dó de espremer aqueles minivulcões da minha face, por algum motivo inexplicável não fiquei marcado.
Incontáveis vezes cortei os dedos e a mão com papel, inclusive contando dinheiro no banco (quem disse que dinheiro não faz mal a ninguém?) mas creio que nenhuma dessas vezes foi suficientemente profundo pra deixar uma cicatriz. Hoje em dia, no hotel em que trabalho na Itália, não passo mais de uma semana sem cortar os dedos com o papel. Esse é um dos problemas das pessoas sistemáticas...
Mas creio que o caso mais insólito é de uma cicatriz que tenho no dedo indicador da mão. E não digo em qual das mãos a cicatriz está, porque ela passa de uma mão para a outra quando bem quer. Neste momento está na direita, mas nada posso garantir até amanhã.
Durante muito tempo, eu tive quase certeza absoluta que essa cicatriz (à época sempre no dedo da mão esquerda) tivesse ocorrido durante uma pescaria no sítio do meu falecido avô, onde sempre eu passava minhas férias escolares, às vezes sozinho, às vezes com meus primos, desbravando o mato e pescando. Numa dessas pescarias - de lambaris, óbvio, com caniço de taquara (bambu para os leitores do Paraná pra cima) - eu teria, distraidamente, deixado que o anzol se enroscasse no meu dedo e fizesse essa pequena curva perto da dobradiça do meio. Passei anos contando aos colegas dos colégios onde passei, vangloriando-me como se fosse uma cicatriz de guerra, conseguida com um anzol. Ledo engano.
Muitos anos depois, sabe lá por que desrazões da memória, me lembrei o que de fato havia acontecido. Eu e um colega de classe, como todos aqueles da nossa idade, tínhamos cada um seu canivete. E a brincadeira era aquela de, rapidamente, como uma das mãos bem aberta, fazer com que o canivete batesse entre os vãos de cada dedo, o mais rápido possível. Eu era craque nisso e então, com a mão esquerda aberta, comecei os movimentos, ritmados e lentamente aumentando de velocidade. São nessa coisas estúpidas da vida que se percebe o quanto a notoriedade faz bem ao ego. E também o quão fácil é transformar essa vanglória (já diz o próprio nome: vã glória) em arrogância, para em seguida precipitarmos no poço obscuro do ridículo. E é aí que também aprendemos, normalmente a contragosto, como se joga sujo.
Um desafeto, sabendo que eu gostava de uma guria chamada Débora (sinto cheiro do seu perfume até hoje), disse que ela estava vindo. Comecei a suar, enquanto lutava para não errar as batidas e a galera contava pra ver se eu ultrapassava o recorde vigente. Num momento de esperança, estiquei os olhos ao lado pra ver se ela estava ali, e o canivete cortou fora metade do meu dedo. Me sentia como Lula, se àquela época eu o conhecesse e soubesse que era manco dos dedos. Mas não pensei em virar presidente, nem em colar novamente o dedo, só queria que Débora não tivesse visto.
Só quando vi que ela não estava por ali foi que peguei a ponta do dedo e o forçava contra o cotoco, enquanto um outro colega enrolava tudo com um pano. Não lembro dos dias que se passaram depois, nem se fui a um hospital (creio que sim), mas talvez o trauma de tudo isso tenha me levado a acreditar, por anos, a origem errada da cicatriz.
A cirurgia, muito bem feita por sinal, me deixou com poucas marcas e a articulação do dedo indicador não sofreu limitações. A única coisa estranha é quando a cicatriz muda de uma mão à outra. Às vezes sonho com um disco voador. Curiosamente, desde então, meus polegares têm o movimento restrito.
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terça-feira, 16 de março de 2010
Minha aversão ao cinema no país das magavilhas
Já escrevi muitas vezes aqui sobre livros, literatura em geral, do que gosto e não gosto. Principalmente o que escrevo. Já escrevi - nem tanto assim - também sobre música. Mas creio que nunca me posicionei a respeito do cinema.
Ah, o cinema! Também conhecido como sétima arte - por algum motivo que a Wikipedia explicará a vocês - o cinema (neste âmbito, para mim, compreende filmes em geral, não apenas aqueles das telonas) me acompanhou durante toda a infância com a Sessão da tarde. Naquela época, como hoje, não tìnhamos video-cassete. Hoje, ao contrário daquela época, existe o DVD. Enfim...
Lembro de filmes que me marcaram, como Goonies, Curtindo a vida adoidado e Conta comigo. Já na adolescência, devidamente equipado com o famigerado vídeo-cassete, aluguei algumas vezes filmes na locadora. Mas aos poucos fui diminuindo o ritmo até o desapego total, sem nenhuma explicação lógica aparente.
Em Londrina devo ter ido no máximo umas 10 vezes ao cinema nos 13 anos em que ali morei. Mas sinceramente, são poucos os filmes que lembro com detalhes. Um deles é Seven, um dos raros bons que vi na sala fechada e escura.
Poucos dias atrás, depois de quase dois anos na Itália, resolvi encarar o cinema aqui. Psicologicamente eu já estava preparado pro maior choque, sabia que nos cinemas europeus em geral os filmes são dublados. A obra: Alice no país das maravilhas. Não é exatamente o que eu chamaria de uma história atrativa, até porque todo mundo sabe como começa e termina, mas com Tim Burton dirigindo, vabbe', ci provo. Imaginei que pelo menos alguma coisa interessante aquele doidao faria com o enredo, como já o fez com o primeiro Batman e também com aquele que não lembro o nome, cujo personagem é o Beetle Juice - ridiculamente traduzido em português como besouro suco, quando o correto seria Suco de besouro -, personagem muito bem encarnado pelo segundo melhor ator do mundo, Jack Nicholson (o primeiro é Bill Murray)[Correção: o ator era Michael Keaton, como a Wikipedia e a nobre leitora Karen me mostraram, mas ele, no fundo no fundo, imitava o Jack Nicholson].
Além disso, dentre as histórias ditas infantis, essa é a mais interessante, na minha molesta opinião. Um gato que vira fumaça, um chapeleiro maluco, fora as doideiras durante o conto, cresce Alice, diminui Alice, o coelho atrasado, a Rainha de Copas e seu exército de cartas. Literalmente, é do baralho!
Mas a grande novidade mesmo é que foi o primeiro filme em 3D da minha história nesse planeta.
E isso é doido. Desviei umas 3 ou 4 vezes a cabeça de algum estilhaço virtual durante o filme. Mas é aquela coisa: se o que chama a atençao é o visual, certamente faltará algo de interessante em algum outro lugar.
Resumindo: fraco, muito fraco. Diálogos bestas. Clichês. Enredo pífio. O cenário é legal e o 3D combinou bem. Mas o final me dá asco. E não sei se pagar quase o dobro de um filme normal só pra ver em 3D vale a pena. Provavelmente não.
Esclarecendo, não é que me orgulho dessa minha incultura cinematográfica. Sei que existem filme ótimos e que deveria vê-los com mais frequência (até hoje as pessoas ficam estarrecidas porque eu nunca vi nem Laranja mecânica nem Pulp fiction, entre outros clássicos), mas toda vez que me aventuro em um cinema, acabo por me decepcionar no final.
Protelo, desta forma, meu vício cinéfilo em estado embrionário. Um dia ele se desenvolverá. Se não for abortado antes.
E foi assim que, uma vez mais, o cinema me decepcionou, o que me deixará provavelmente alguns meses (anos, décadas?) longe da telona, baixando filmes que porventura me chamem a atenção de graça na internet, ou simplesmente vendo pela TV. Aqui na Itália pelo menos não faz tanta diferença. Dublado por dublado, prefiro dublado de graça.
Ah, o cinema! Também conhecido como sétima arte - por algum motivo que a Wikipedia explicará a vocês - o cinema (neste âmbito, para mim, compreende filmes em geral, não apenas aqueles das telonas) me acompanhou durante toda a infância com a Sessão da tarde. Naquela época, como hoje, não tìnhamos video-cassete. Hoje, ao contrário daquela época, existe o DVD. Enfim...
Lembro de filmes que me marcaram, como Goonies, Curtindo a vida adoidado e Conta comigo. Já na adolescência, devidamente equipado com o famigerado vídeo-cassete, aluguei algumas vezes filmes na locadora. Mas aos poucos fui diminuindo o ritmo até o desapego total, sem nenhuma explicação lógica aparente.
Em Londrina devo ter ido no máximo umas 10 vezes ao cinema nos 13 anos em que ali morei. Mas sinceramente, são poucos os filmes que lembro com detalhes. Um deles é Seven, um dos raros bons que vi na sala fechada e escura.
Poucos dias atrás, depois de quase dois anos na Itália, resolvi encarar o cinema aqui. Psicologicamente eu já estava preparado pro maior choque, sabia que nos cinemas europeus em geral os filmes são dublados. A obra: Alice no país das maravilhas. Não é exatamente o que eu chamaria de uma história atrativa, até porque todo mundo sabe como começa e termina, mas com Tim Burton dirigindo, vabbe', ci provo. Imaginei que pelo menos alguma coisa interessante aquele doidao faria com o enredo, como já o fez com o primeiro Batman e também com aquele que não lembro o nome, cujo personagem é o Beetle Juice - ridiculamente traduzido em português como besouro suco, quando o correto seria Suco de besouro -, personagem muito bem encarnado pelo segundo melhor ator do mundo, Jack Nicholson (o primeiro é Bill Murray)[Correção: o ator era Michael Keaton, como a Wikipedia e a nobre leitora Karen me mostraram, mas ele, no fundo no fundo, imitava o Jack Nicholson].
Além disso, dentre as histórias ditas infantis, essa é a mais interessante, na minha molesta opinião. Um gato que vira fumaça, um chapeleiro maluco, fora as doideiras durante o conto, cresce Alice, diminui Alice, o coelho atrasado, a Rainha de Copas e seu exército de cartas. Literalmente, é do baralho!
Mas a grande novidade mesmo é que foi o primeiro filme em 3D da minha história nesse planeta.
E isso é doido. Desviei umas 3 ou 4 vezes a cabeça de algum estilhaço virtual durante o filme. Mas é aquela coisa: se o que chama a atençao é o visual, certamente faltará algo de interessante em algum outro lugar.
Resumindo: fraco, muito fraco. Diálogos bestas. Clichês. Enredo pífio. O cenário é legal e o 3D combinou bem. Mas o final me dá asco. E não sei se pagar quase o dobro de um filme normal só pra ver em 3D vale a pena. Provavelmente não.
Esclarecendo, não é que me orgulho dessa minha incultura cinematográfica. Sei que existem filme ótimos e que deveria vê-los com mais frequência (até hoje as pessoas ficam estarrecidas porque eu nunca vi nem Laranja mecânica nem Pulp fiction, entre outros clássicos), mas toda vez que me aventuro em um cinema, acabo por me decepcionar no final.
Protelo, desta forma, meu vício cinéfilo em estado embrionário. Um dia ele se desenvolverá. Se não for abortado antes.
E foi assim que, uma vez mais, o cinema me decepcionou, o que me deixará provavelmente alguns meses (anos, décadas?) longe da telona, baixando filmes que porventura me chamem a atenção de graça na internet, ou simplesmente vendo pela TV. Aqui na Itália pelo menos não faz tanta diferença. Dublado por dublado, prefiro dublado de graça.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Bentornato, Zaratustra!
Depois de breve período de férias ensolaradas e quentes no Brasil, a Itália me saúda com seus 5°C e chuva.
De volta aos livros.
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