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quarta-feira, 7 de novembro de 2018
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Dos tempos
O futuro
nada mais
é
que
um pesadelo
benigno
O presente,
um sonho
insuportável
O passado,
uma brincadeira
sem
graça
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sábado, 24 de setembro de 2016
O quis assim o Destino
Quis o destino -
quem será o destino?
- que assim o fosse.
O destino o quis assim.
Destino, quem sois?
Quem dera o soubéssemos. Quem dera o entendêssemos.
Para o bem ou para o
mal,
assim o era.
Pois o destino possui razões que o próprio destino
desconhece. Desrazões ainda piores.
Ou maiores.
Eu cri, aprendi, soube, ri.
Chorei, perdi, cresci, arrependi.
Mudei, fiz, li, enterneci.
Briguei, pacifiquei,
o futuro vislumbrei:
lutei pelo que vi.
Dispus-me a.
Dizei-me, agora, vós
o quê
em
troca
recebi.
Dizei-me, ó
destino,
indecifrável enigma profundo,
a recompensa
da perseverança.
Dizei!
Pois o futuro
não nos lê,
e nos crê ainda
menos.
Dizei, ó sacripantas -
tu mesmo, destino ausente -
que sofrimento insistente
me deste por suportar
Que glórias divinas -
mentiras! -
prometeste-me
Destino, cruel
tu és,
como a gigantesca onda
destroçando o convés
do barco de minh'alma,
que se afoga sob meus
pés
Dizei,
sob a cruz emoldurada,
tudo o que sabeis!
Dizei,
sob juramento bíblico,
o que não sei!
Dizei,
entre a luz dos holofotes,
o que pensei!
Admiti,
se porventura
nosso acordo quebrei.
Mas dizei
o que precisas. É o que,
pois,
necessito para
viver.
Se o vinho o sangue representa,
se o trigo, o corpo transfigura,
dá-me o que minha sede alenta,
embriaga-me do mal de vossa usura.
Dizei, contudo, o que preciso,
pois desta forma viver não aguento.
Sejais, porém, breve e conciso,
para do mal livrar-me bem com teu uguento.
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terça-feira, 26 de julho de 2016
Melancolia
Estou de férias
Estar é um verbo muito amplo.
Gosto de estar.
O horizonte se abre quando se está.
Estou. E ponto.
E tudo o mais vive na formatação dos parágrafos.
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quinta-feira, 21 de abril de 2016
COMO PERDER A SI MESMO EM 7 ATOS*
I
- A Felicidade Inebriante ou A Vontade de Não-Ser
Nas
horas escuras de dúvida e temor e desejo de viver
Insurge-se
contra mim e me atropela
A
vontade de não-ser
Das
profundezas mais sombrias e execradas do meu pensamento surge ela,
fingindo
não-ser para ficar
Forçando-me
contra meu abismo e sucumbindo-me às suas vontades
A
vontade de não-ser toma conta de mim e me governa
Abusa
do meu corpo e do meu cérebro obtém o que quer e quando quer
Os
fins justificam seus meios sem meio-termo,
nem
devaneios e sem ao menos ligar para as conseqüências
O
ápice da vontade de não-ser inebria de uma forma o meu ser que,
por
estar vivo no outro dia posso considerar-me um vitorioso
Triste,
porém, é saber por vozes do além o que a vontade de não-ser
provocou em mais alguém
II
- Um Sentido Escondido
Assim
como sucumbo à vontade de não-ser sucumbo também à dúvida que me
dilacera atrás de respostas e de defesas para meu corpo a memória
castigada em sua via-crúcis semanal é pouco mais que nada: é uma
pegada na lama enquanto chove é uma gota de água na imensidão do
mar as escoriações, os odores, as sujeiras e as dores são parcos
indícios de coisa alguma as falas confusas, flashes de cenas que bem
poderiam ser de um filme, ou de um sonho, mais me atormentam que me
acalmam e a angústia de não ser ninguém me abraça e me acolhe com
seu calor, seu aconchego e suas canções de ninar
III
- Um Motivo Qualquer
Tudo
começa na hora do sonho que me excita pensamentos e imagens
Pessoas
e lugares desfilam em meu córtex e,
violento
e semi-adormecido, aceito dos delírios as provocações sem
pestanejar
Ou
então não é num sonho, é num convite, numa pergunta e perdido e
sem opção me atiro de cabeça na ignomínia desenfreada e sem volta
sem pensar
Ou
então é só, enquanto eu, pusilânime, me deleito na minha
necessidade e no meu vício de solidão que me impelem a ser quem não
sou sem questionar
Pode
ser um sonho acordado enquanto olho o horizonte fundo,
do
outro lado e aceito distanciar-me de mim sem piscar
Ou
são apenas desculpas para eu não precisar admitir minha covardia
perante a vida.
IV
- Um Estímulo Podre e Desleal
Uma
vez fora de mim qualquer bobagem torna-se grandiosa e qualquer olhar
transfigura-se em amor qualquer mulher em amante qualquer sussurro,
um convite
E
quanto mais me suicido, mais me maldigo por dentro e,
concomitantemente, mais ódio e raiva transbordam de mim e me
estimulam a mudar-me, ainda mais, a personalidade
No
final todos são procazes (inclusive o mais santo) e todos
suscetíveis a opróbrios tão voláteis quanto meu humor e tão
vazios quanto eu
V
- O Desespero Pós-Felicidade
O
ato de acordar talvez seja o mais amargo e acre depois da felicidade
inócua
Perdido
e sem ação, lamento e retorço as memórias e o corpo numa vã
tentativa de retroagir e, sem sucesso, resigno-me e sofro, enfim, o
castigo que mereço
Meus
fantasmas, sarcásticos, não perdoam nem mesmo meu estado de inação
e fraqueza
Meus
fantasmas e minhas sombras me subjugam e me desequilibram impiedosos
Meu
ódio é inversamente proporcional ao meu conhecimento e às minhas
conclusões
Mesmo
nosso julgamento das coisas não tem valor quando não se tem noção
do que se perde e do que se é
VI
- A Angústia Premeditada
Na
montanha e na caverna de meu desespero os corvos,
os
abutres e os urubus devoram a carne pútrida da minha felicidade
Morreu
em êxtase: ébria e dormitante
Morreu
desgostosa: só e iludida
Morreu.
Em
seu lugar nasceu uma angústia melancólica e sufocante cujo sabor eu
já sentira outrora
Senti-me
repetindo uma mesma vida
Revivendo
meu início, rebobinando e reiniciando a mesma fita
Senti-me
pedante como todas as redundâncias
Senti-me
enjoado como todas as repetições
Senti-me
tonto como tudo o que gira e não consegue parar
E
preso à essa angústia renasci igual e tão fútil quanto antes
Todas
as vidas que vivi e que vivo têm o mesmo gosto insosso e a mesma cor
amarelada
Todos
os dias em que me vejo no espelho enxergo uma caveira que acena e
ri-se de mim
Corro
para longe e, à medida que me afasto,
aproximo-me
mais do que tanto fujo e do que tanto temo: A minha verdade
O
único modo de não encontrá-la é esconder-me e, abraçado à
angústia, fingir não ser para ficar Viver outras vidas, mas ficar.
VII
- O Fim do Ser Enquanto Dono de Si Mesmo
O
que hei de chamar minha vida?
Eu?
O
que vivo?
Minhas
lembranças?
O
que penso?
O
que hei de chamar minha vida?
E
o que hei de chamar eu mesmo?
Quem
há de saber minha verdade, a não ser a própria verdade?
Estou
desenganado.
Já
desisti de ser eu mesmo.
Não
me reconheço em meus atos nem em minhas palavras.
Muito
menos no espelho
O
espelho da caveira claudicante deve representar os meus não-seres,
os
meus refúgios da verdade, mas não pode representar a mim!
Nego-me
a aceitá-la como meu reflexo, ainda que verdadeiro!
Antes
renegar o verdadeiro eu e tornar-me outro,
ou
sublimar-me no ar, a aceitar minha decadência e viver sem vida
como
um inseto ou poeira e perecer destruído mas com o orgulho de ser eu
mesmo!
Antes
não ter de aceitar minha alma - ou o que dela resta - de volta,
e
perder meu espírito,
e
sentir-me nu por dentro,
a
regozijar-me por morrer em pedaços mas com a alma intacta!
Antes
uma não-vida em um não-lugar a uma vida que não se percebe,
num
lugar que não se sente!
Agora
que a vontade de não-ser se apodera dos meus últimos pensamentos
deveras
aproveitáveis e das minhas últimas verdades e suspiros,
digo
adeus à vida e a Deus.
Agora
não sou mais eu,
nem
o intermédio: sou o outro.
Um
outro que não sabe quem é,
nem
porque é.
Mas
vive.
Desalentado
e indiferente a tudo,
mas
vive.
* Texto escrito por mim mesmo, no já distante 22/01/2003, com 21 anos: estudante, desempregado e sem perspectivas num breve futuro. Mal sabia eu o que aconteceria em poucos meses... É interessante ver como eu pensava àquela época. Minha evolução (ou involução, dependendo do ponto de vista). Fica o registro da péssima escrita do início do século, que deu origem à péssima escrita atual.
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quarta-feira, 2 de março de 2016
O retorno dos que não foram
Fui.
Mas cá estive
Todo este tempo.
Mas cá estive
Todo este tempo.
Fugi.
Pra longe,
Muito longe
Deste meu vento.
Pra longe,
Muito longe
Deste meu vento.
Escapei.
Das garras
Funestas
Do eu.
Das garras
Funestas
Do eu.
E aqui,
Nas amarras
Indigestas
Estou
Nas amarras
Indigestas
Estou
A questionar,
Na marra,
Os limites
Do tempo
Na marra,
Os limites
Do tempo
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terça-feira, 21 de outubro de 2014
ESTAR
As
mãos tremem,
o
cansaço é mais
que
físico.
Aliás,
o cansaço
físico
é o melhor
dos
cansaços,
pois
sabe-se a causa
direta,
suas
consequências,
e
como tratá-lo.
O
cansaço psíquico,
mental,
é
o verdadeiro
cansaço,
é
a ruína de uma
pessoa,
são
os nervos
à
flor da pele,
e
o estresse,
o
caos do mundo,
na
mente
de
um vagabundo.
Perde-se
a noção,
perde-se
o norte,
e
todos mais
dos
pontos cardeais.
Não
quero a vida
como
um peso
a
se carregar.
Não
quero a vida
como
uma
eterna
luta.
Não
quero uma
luta
eterna
em
meus parcos
dias.
Quero
somente a paz,
a
tranquilidade,
a
magia de nada querer,
o
ócio alegre de estar,
apenas
estar,
sem
precisar
exigir
nem
ser
exigido.
Estar.
Não
importa
onde
nem
importa
quando.
Quero
estar
sem
metas,
estar
sem
ter
que
matar
clientes
diários.
O
sol, sob o
aspecto
do
estar,
é
não mais
que
um brilho
eterno
em
um retrato
de
Van Gogh.
O
brilho eterno
é
aquilo
que
nos dá
motivação,
que
nos atrai,
que
nos quer
sem
contudo
nos
atrapalhar
com
suas mãos
cheias
de dedos
e
seus dedos
cheios
de dados,
calendários
cheios
de
datas,
verdades
cheias
de mim.
Estou
cheio das
verdades
alheias
e
perenes
e
fatais,
quero
só
a
mente,
somente.
No
ar
No
ar
No
vento
ser
o
que
não
se
sabe
como
é.
Sou.
Somente
sou
no
estar
aqui.
Se
aqui
é
a
verdade,
que
seja
a
obviedade
do
não
o
remédio
para
o caos
do
mundo
em
mim.
Que
o não
seja
o
meio,
para
o
fim
glorioso
do
talvez.
Estar
é
o
que se
quer.
Entre,
abra
a porta, pois
entre
as
portas
há
um vazio, um
vão,
por
onde
vão
nossas
dúvidas.
estar
ou não
estar:
eis
a questão.
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domingo, 29 de setembro de 2013
Delírio
Eram seres
de sons estranhos
de vidas tortas
lugar algum
Parecia
mas não era um sonho
era um delírio
do cão bebum
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013
The rush of the red dust - An ode to the toxic smoke
When I take off my glasses
the world seem to rest
my head
oh yeah
my heavy head
becomes lighter
and starts to fly
Long and long and long
live
life
leave
me
leaf
leaves
liver
long
live
Liv...
And I'll be there
to catch you,
baby
The world and the dust
that burns and burns and burns
The dust
must be some kind of
hidden metaphore
of an imaginary life
It flies and blows and goes
pushed by the wind
as the old singer sang once
Yeah
I must be getting old, man
Incredible and
melancholic.
Unavoidably
old.
I wish I could
- as (or with) the red
dust -
fly
I wish
I could be
that noble.
But I ain't.
High temperatures,
Farenheits,
Celsius,
Kelvins,
High temperatures,
Highs and lows,
High hopes.
But
at the very end
it
all becomes
dust.
Again.
the world seem to rest
my head
oh yeah
my heavy head
becomes lighter
and starts to fly
Long and long and long
live
life
leave
me
leaf
leaves
liver
long
live
Liv...
And I'll be there
to catch you,
baby
The world and the dust
that burns and burns and burns
The dust
must be some kind of
hidden metaphore
of an imaginary life
It flies and blows and goes
pushed by the wind
as the old singer sang once
Yeah
I must be getting old, man
Incredible and
melancholic.
Unavoidably
old.
I wish I could
- as (or with) the red
dust -
fly
I wish
I could be
that noble.
But I ain't.
High temperatures,
Farenheits,
Celsius,
Kelvins,
High temperatures,
Highs and lows,
High hopes.
But
at the very end
it
all becomes
dust.
Again.
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Acabou a luz
Acabou a luz.
Quando a luz
acaba
o mundo parece
descansar.
Acabou a luz.
E a luz da chama
da vela
me chama.
Mas nem sempre se vê.
Acabou a luz.
E pelas janelas
vê-se o mundo apagado.
Vê-se o mundo.
Só.
Quando acaba a luz.
Acabou a luz.
E quando ela volta
a um nada me reduz.
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segunda-feira, 4 de junho de 2012
Antipasto
Não mais verão,
inverno,
inferno!
E o verão se foi
com os dias que se foram.
Que se fodam!
Veremos, então,
se eles verão
o verão
que virá
com os dias que virão.
Veramente...
~ Z ~
Anos atrás fiz um poema parecido com o acima. De 23 de janeiro de 2005. Ei-lo:
É verão e o sol quente é como os dias que virão.
Como eles verão o verão dos dias (e das noites) que viramos?
Não se sabe ao certo.
O amanhecer do sol, nascer no verão...
veremos dias na manhã do amanhã?
Virei a página, varei a noite, verei o luar do verão que se foi.
Verão a página do verão à noite.
Como verão os dias da primavera? Como o frio do inverno?
Comoverão?
Serão os dias? Como os verão?
Serão os dias como o verão?
Virão os dias?
Deverão?
Veremos.
Sete anos atrás. Eu, ébrio já, procurava um destino, que ainda procuro, embora, muito embora agora eu esteja deveras mais próximo. Àquela altura nem formado eu era. Eu era um qualquer em busca de algo desconhecido. Melhorei um pouco, vivi um pouco. Porém vocês, meus fantasmas, hão de concordar que o mundo, assim como tudo, é cíclico e eternamente retorna, como vê-se pelos versos tortos acima transcritos.
Fiz inúmeras coisas deixadas pela metade, outrossim, várias e inúmeras coisas me deixaram pela metade. Porém o tempo passa e ao mesmo tempo é eterno e é cíclico. Pois envelhecemos, e ele passa. Pois o tempo não envelhece, e é, desta forma, eterno. Pois os anos e as estações se repetem e, vós vedes, é cíclico.
A unicidade e a incongruência trina e una do tempo. A afirmação, a negação e a transposição da verdade, no tempo. O tempo ceifa o vento. O tempo, o tempo, a incógnita suprema. Demasiado simples, demasiado complexo.
Demasiado.
E nós, aqui, a indagar-nos. Ao invés de beber, em um bar.
~ Z ~
Vamos, como o tempo que só vai. E o tempo foi indo, indo, indo... e iu!
Sei das minhas limitações. Reconheço meus defeitos e tento ao poucos torná-los mais suportáveis aos outros e a mim.
Acusando-me assim obtenho subitamente vossa compreensão e comiseração com minha vil situação atual. O compadecimento alheio é facilmente conquistado. A compaixão encontramo-la nas esquinas mas lúgubres. E assim conseguimos a força que nos faz sobrepor pequenos e intangíveis obstáculos.
Toda essa enrolação é pra dizer, em palavras bonitas, que como prometido neste post, DEVO terminar os relatos de minha viagem pela Europa antes de seu aniversário de 2 anos. E o farei, visto que os dois anos completar-se-ão em agosto e férias me aguardam no próximo mês, onde poderei visitar amigos paranaenses e parentes gaúchos, deixando, contudo, o coração em Santa Catarina.
É, porém, o destino escrito e deve ser seguido, sob pena de intempéries e impropérios das mais variadas formas.
Despeço-me com um gole do meu uísque que, como eu, treme de frio nesta madrugada insólita de chuva eterna. Esta chuva, que passa, como o tempo, que retorna, como o tempo, e que, como o tempo, infinita é.
Saluti!
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sábado, 9 de abril de 2011
Delírio
Era a vida a fugir
com as pernas
do delírio.
Era o caos.
Do cão,
o frio.
E a morte
à espreita.
- Mas do quê se foge?
Sei que quis.
Mas o rio deságua
na foz
da amargura.
- Mas do quê se foge?
A distância matou-me
com direito a replay
a replay
Mas era a
vida a fugir com
as pernas
do delírio.
Rei do mundo,
Rei do azul,
cri na vida e
caí na poça sem fundo
dentro do poço do calabouço
do engano-mundo.
- Mas do quê se foge?
Tentei.
Mas tentar exige estímulos
que são gerados por uma
força.
Mas se a força não
existe,
o que se cria
é o nulo:
uma ilusão de vida
besta.
Besta!
- Mas do quê se foge?
A ilusão, porém,
persiste.
Apesar de nula
eterna é a força,
e cíclica é,
e é eterna.
E o círculo não morre
jamais.
Mas a vida
fugiu
com as pernas do
delírio.
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sexta-feira, 18 de março de 2011
Sobre dores e joelhos
o ventilador
gira
a dor
dói
no joelho
dói
na perna
enquanto o
ventilador
gira
a dor dói
na cabeça.
e ainda assim, o
ventilador gira
e dói
saber
a verdade
dói
como se eu estivesse
eternamente em férias
e sem dinheiro
dói
como ter a consciência
de saber
mas não
poder
dói
como estar ali
esperando aquele telefonema
com aquela proposta
para aquilo que você criou durante
anos
finalmente
comprarão o meu produto
ficarei rico
e o computador
pifa.
doer é muito amplo.
o joelho dói
algo não funciona,
algo não está certo.
o joelho dói
como dói o peito
num adeus
mal-feito.
o joelho dói.
mas a dor
faz parte
da melhora.
gira
a dor
dói
no joelho
dói
na perna
enquanto o
ventilador
gira
a dor dói
na cabeça.
e ainda assim, o
ventilador gira
e dói
saber
a verdade
dói
como se eu estivesse
eternamente em férias
e sem dinheiro
dói
como ter a consciência
de saber
mas não
poder
dói
como estar ali
esperando aquele telefonema
com aquela proposta
para aquilo que você criou durante
anos
finalmente
comprarão o meu produto
ficarei rico
e o computador
pifa.
doer é muito amplo.
o joelho dói
algo não funciona,
algo não está certo.
o joelho dói
como dói o peito
num adeus
mal-feito.
o joelho dói.
mas a dor
faz parte
da melhora.
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
Ver
Ver como um ser
desamparado de véus
e ter a morte como companheira
de jornada
é meu sim que me mente por inteiro
contra a vergonha
insuportável.
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ressaca
Era eu aquele livro
Entre a certeza e a indecisão
ah, indecisão!
No final do dia,
dos dias
do fogo, o fogo
ainda.
Era eu aquele livro. Era
eu!
Mas ninguém me acreditou,
e fui virado
como uma página.
De um livro,
nem um índice, nem um prólogo.
De um livro
nem ao menos
o prefácio.
De um livro,
longe da introdução, de um
capítulo.
A milhas da conclusão.
De um livro,
no máximo um epílogo.
Da vida,
um epitáfio.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
Poema da insônia I
Cego. Eu creio
e vivo a vida,
sigo a estrada
inacabada
do meio.
Receio.
A certeza caída,
a verdade quebrada,
dilacerada
ao meio.
Sou cego, mas leio
e sem saída
saí pela entrada,
caí na escada:
quebrei a costela do meio.
Foi feio.
Mas a despedida
foi adiada
porque, atrasada,
você não veio.
Devaneio:
você despida,
entra apressada,
embriagada,
teu seio.
Não creio,
mas foi a partida
da vida errada.
A frase acabada
no meio.
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Cantoria
Tem a luz.
Do abajur no quarto escuro que conduz
pelos caminhos da noite, sinuosos
e me reduz
a um estranho, notívago em reino de luminosos
raios, de pessoas solares. Não faço jus
àquilo que tenho. Tenho medos vertiginosos.
Não faço jus.
Meus medos
vêm dos medos
que as pessoas têm.
Tem o vento.
A brisa que no início do outono avança
mansa
da janela semi-aberta, para o ar
deixar passar.
Esta usança
que minha vida salva, e da minha vida
faz criar
a luz, alva, a caminhar
perdida, no escuro do
luar.
Como a criança
entediada a falar
Ne ho abbastanza!
Tem o jazz.
Tem a música, tem o som, o embalo
resignado do rio em viagem
ao mar.
E se o embalo varia,
se o embalo muda
a rima,
o que fazer, ó Maria,
se o que era
não é mais,
e se o que se tem
a nada vale
(nem um vintém)?
Se o que se diz escorre
como água
dum chafariz?
O que fazer, ó Maria,
na calada da noite
- diga-me tu, musa mia, -
no cantar do rouxinol,
o que farias?
Ó Maria!
Agora me dizes
que destes assuntos
responder-nos ao menos
nem Deus saberia?
O que fazer, ó Maria,
se no meio da noite
nos vem o dia?
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
Há
Há coisas, há
Muitas coisas
E me pergunto
Onde foi que eu errei
Nesta vida
As belas coisas da
Vida
Parecem não funcionar
A vida é dourada
Mas o ouro não é para todas as pessoas
Na verdade
Ouro não é para pessoas
Ouro é um sonho
Que duvida de si mesmo
E de sua própria existência
Raridade seria uma qualidade
Se fosse uma escolha
A raridade me fez perder o controle
Exceções para um
Não são exceções para todos
O que você espera,
Normalmente,
Não é o que você terá
O que você pensa sobre
Tudo
Não é como as coisas realmente são
Vergonha e arrependimento
Devem ser algum
Tipo de dor inconsciente
Que vêm e vão
Quando bem querem
Eu quero uma realidade
Apesar da minha ansiedade
Nonsense
Eu quero uma criação
Separada dos meus medos
De ser
Novo
As paredes se fecham atrás
De você
O lugar não é um
Palácio
Você pensa que vai embora.
Você pensa que vive.
Muitas coisas
E me pergunto
Onde foi que eu errei
Nesta vida
As belas coisas da
Vida
Parecem não funcionar
A vida é dourada
Mas o ouro não é para todas as pessoas
Na verdade
Ouro não é para pessoas
Ouro é um sonho
Que duvida de si mesmo
E de sua própria existência
Raridade seria uma qualidade
Se fosse uma escolha
A raridade me fez perder o controle
Exceções para um
Não são exceções para todos
O que você espera,
Normalmente,
Não é o que você terá
O que você pensa sobre
Tudo
Não é como as coisas realmente são
Vergonha e arrependimento
Devem ser algum
Tipo de dor inconsciente
Que vêm e vão
Quando bem querem
Eu quero uma realidade
Apesar da minha ansiedade
Nonsense
Eu quero uma criação
Separada dos meus medos
De ser
Novo
As paredes se fecham atrás
De você
O lugar não é um
Palácio
Você pensa que vai embora.
Você pensa que vive.
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quinta-feira, 3 de junho de 2010
(eugnaremub arp siam ajetse arobme) atseb otenos mU
rahlagragsed a aculam aoverboS
oãhc on setna are euq adivúd a sioP
oãv me mecerap sarvalap sa saM
ratnugrep a ,oxelprep ,ale arp ohlo uE
oãhc od ognol oa osovren euqata mU
ralor a açemoc atidlam a ,acinôrI
ra on ila odnir ariap adivúd A
oãn uo ejoh árias los o eS
receralcse oãn me etsisni euQ
adalbun ãhnam an sodidrep socsibaR
rezaf a açrof em alua ad ecitahc A
adarap ila mevun amu met E
rezid arp uo rezaf arP
adan mes iuqa uotsE
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terça-feira, 18 de maio de 2010
Sob as chuvas da Toscana
Se um dia o sol surgisse por entre as nuvens, como uma surpresa
A queimar a vida, como outrora a aguardente em minha garganta fazia
O que hoje as estrelas e o vento, nulos, fazem com tamanha beleza
E percebesse o estado em que está relegado, na fria
E crua, ardente e vil estação que – quem diria – arde
Na pele, não obstante o temor da insana selvageria
Se um dia sol, como uma vontade incessante de ser,
No entardecer do caos dos morros que, com alarde,
Quisesse fazer, sabe là como, por merecer
Estes humildes versos ébrios e crus, sem remédio,
Teria, ao menos por educação, maneiras mais gentis
De abordagem, maneiras sutis de espantar meu tédio
Cujas artimanhas e artifícios ardis
Na convulsão do tempo, no caos estático do sublime,
Ecoam no ar, como suspiros senis
Esses ventos e o sol, um dia surgirão
Com pesar no olhar e arrependimentos mil
A implorar, de joelhos, misericórdia e perdão
E lhes direi, do fundo de meu coração,
Com meu mais singelo sorriso, um belo olhar
De abnegada resignação, meu mais profundo e sincero não!
Publicado em 12 de dezembro de 2008
A queimar a vida, como outrora a aguardente em minha garganta fazia
O que hoje as estrelas e o vento, nulos, fazem com tamanha beleza
E percebesse o estado em que está relegado, na fria
E crua, ardente e vil estação que – quem diria – arde
Na pele, não obstante o temor da insana selvageria
Se um dia sol, como uma vontade incessante de ser,
No entardecer do caos dos morros que, com alarde,
Quisesse fazer, sabe là como, por merecer
Estes humildes versos ébrios e crus, sem remédio,
Teria, ao menos por educação, maneiras mais gentis
De abordagem, maneiras sutis de espantar meu tédio
Cujas artimanhas e artifícios ardis
Na convulsão do tempo, no caos estático do sublime,
Ecoam no ar, como suspiros senis
Esses ventos e o sol, um dia surgirão
Com pesar no olhar e arrependimentos mil
A implorar, de joelhos, misericórdia e perdão
E lhes direi, do fundo de meu coração,
Com meu mais singelo sorriso, um belo olhar
De abnegada resignação, meu mais profundo e sincero não!
Publicado em 12 de dezembro de 2008
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