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segunda-feira, 5 de julho de 2010
Frase
E a verdade é que nunca conheceremos a verdade.
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
Devaneio sobre a tradução
A primeira vez que ouvi coisa semelhante foi no mestrado. Algum professor, que agora não me lembro mais quem, nos disse que uma vez alguém promoveu o seguinte exercício.
Um trecho de um texto em italiano foi dado a um tradutor de determinada língua. Essa tradução foi repassada a um outro tradutor de outra língua e assim sucessivamente até a décima tradução e, desta, de novo para o italiano. Nenhum dos profissionais envolvidos sabia quem era o autor do texto e imaginavam que o mesmo era original, e não a tradução de uma tradução. O resultado, obviamente, foi catastrófico.
Lembrei disso lendo o site do Millôr, no qual ele faz um exercício semelhante com o tradutor eletrônico do Google. Se com seres humanos é impossivel manter o sentido original, que dizer de uma maquineta.
Pensando nisso, resolvi eu mesmo fazer o experimento, com uma das frases que mais utilizo, embora as origens dela sejam obscuras. Vamos lá:
PORTUGUÊS
O importante é o que importa.
Inglês
What is important is what matters.
Italiano
Ciò che è importante è ciò che conta.
Alemão
Wichtig ist, worauf es ankommt.
Espanhol
Lo importante es lo que importa.
Eslovaco
Dôležité je, na čom záleží.
Frances
Ce qui est important est ce qui importe.
Gaélico
Is éard atá tábhachtach i dtaobh nithe a.
Catalão
Constitueix una matèria important a.
Grego
Αποτελεί μια σημαντική ουσία in.
Polonês
Jest to ważna substancja w.
Português
Esta é uma substância importante dentro
Interessante. Parece que até chegar no gaélico (que pra quem nao sabe é o que se fala na Irlanda, além do inglês) tava tudo certo, mesmo alternando entre línguas latinas e não-latinas. Depois fudeu tudo.
O que aprendemos com isso? Não devemos confiar em quem fala gaélico? Ou, pelo contrário, deveríamos aprender a língua e aproveitar esse nicho de mercado? O que tudo isso quer dizer?
Talvez eu esteja errado, mas isso provavelmente quer dizer que eu tenho que voltar a estudar, ao invés de ficar perdendo o tempo com besteiras.
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
Apotegma
No escuro do mundo, a pulcritude inexiste. É lá que vive a urgência.
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sexta-feira, 23 de abril de 2010
Apotegma
Humano é um ser que gira em torno ao próprio umbigo.
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
Matemática e outros causos
Muito embora eu tenha trabalhado durante 5 anos num banco, nunca gostei muito de matemática. Porém confesso que a habilidade e a convivência diária com os números melhora realmente o raciocínio lógico. Isso se você não enlouquecer antes.
Dias atrás comecei a fazer as contas. Não as contas que devo pagar mensalmente, mas comecei a contar, num simples momento de ócio - coisa rara ultimamente - as cicatrizes que detenho pelo corpo, quase todas adquiridas durante a infância, e as histórias que só a elas pertencem. Muito curiosas, por sinal.
Um exemplo: creio que a primeira em ordem cronológica foi a que tenho na sobrancelha. Parte esta da anatomia humana que desde pequeno chamo de sombrancelha com M, ao contrário do que relata o meu amigo Aurélio, que prefere a primeira opção. Isso tudo por questões de preferência estilística. Ou licença poética. Escolham vocês.
Enfim, eu devia ter no máximo uns 6 anos, porque ainda ia à pré-escola. Meu pai, quando jogava na loteria, sempre me pedia pra escolher os números, e foi isso que fiz. Um jogo era sempre o meu, outro da minha irmã. Um dia, chegando em casa, meu pai disse que eu tinha acertado a quina, e tava rico. Comecei a pular de alegria. Embora pra mim rico seria provavelmente o suficiente pra comprar alguns brinquedos que eu queria e outras baboseiras pra comer. Pulei sem direção e sem prestar muita atenção no que fazia até que, em um desses saltos, pisei numa bola que estava por ali justamente para ser pisada, e bati com a testa num degrau. Só depois descobri que era uma brincadeira do meu pai. Mas querendo ou não, a quina eu acertei. A quina do degrau. Cinco pontos na sombrancelha, cujo prêmio, pra toda vida, foi uma cicatriz.
Algumas vezes abri o joelho durante a infância, mas são tantas cicatrizes uma em cima da outra que nem se percebe mais. Parece um joelho (ou dois) normais. Já na adolescência, apesar de eu sofrer gravemente com a acne e não ter dó de espremer aqueles minivulcões da minha face, por algum motivo inexplicável não fiquei marcado.
Incontáveis vezes cortei os dedos e a mão com papel, inclusive contando dinheiro no banco (quem disse que dinheiro não faz mal a ninguém?) mas creio que nenhuma dessas vezes foi suficientemente profundo pra deixar uma cicatriz. Hoje em dia, no hotel em que trabalho na Itália, não passo mais de uma semana sem cortar os dedos com o papel. Esse é um dos problemas das pessoas sistemáticas...
Mas creio que o caso mais insólito é de uma cicatriz que tenho no dedo indicador da mão. E não digo em qual das mãos a cicatriz está, porque ela passa de uma mão para a outra quando bem quer. Neste momento está na direita, mas nada posso garantir até amanhã.
Durante muito tempo, eu tive quase certeza absoluta que essa cicatriz (à época sempre no dedo da mão esquerda) tivesse ocorrido durante uma pescaria no sítio do meu falecido avô, onde sempre eu passava minhas férias escolares, às vezes sozinho, às vezes com meus primos, desbravando o mato e pescando. Numa dessas pescarias - de lambaris, óbvio, com caniço de taquara (bambu para os leitores do Paraná pra cima) - eu teria, distraidamente, deixado que o anzol se enroscasse no meu dedo e fizesse essa pequena curva perto da dobradiça do meio. Passei anos contando aos colegas dos colégios onde passei, vangloriando-me como se fosse uma cicatriz de guerra, conseguida com um anzol. Ledo engano.
Muitos anos depois, sabe lá por que desrazões da memória, me lembrei o que de fato havia acontecido. Eu e um colega de classe, como todos aqueles da nossa idade, tínhamos cada um seu canivete. E a brincadeira era aquela de, rapidamente, como uma das mãos bem aberta, fazer com que o canivete batesse entre os vãos de cada dedo, o mais rápido possível. Eu era craque nisso e então, com a mão esquerda aberta, comecei os movimentos, ritmados e lentamente aumentando de velocidade. São nessa coisas estúpidas da vida que se percebe o quanto a notoriedade faz bem ao ego. E também o quão fácil é transformar essa vanglória (já diz o próprio nome: vã glória) em arrogância, para em seguida precipitarmos no poço obscuro do ridículo. E é aí que também aprendemos, normalmente a contragosto, como se joga sujo.
Um desafeto, sabendo que eu gostava de uma guria chamada Débora (sinto cheiro do seu perfume até hoje), disse que ela estava vindo. Comecei a suar, enquanto lutava para não errar as batidas e a galera contava pra ver se eu ultrapassava o recorde vigente. Num momento de esperança, estiquei os olhos ao lado pra ver se ela estava ali, e o canivete cortou fora metade do meu dedo. Me sentia como Lula, se àquela época eu o conhecesse e soubesse que era manco dos dedos. Mas não pensei em virar presidente, nem em colar novamente o dedo, só queria que Débora não tivesse visto.
Só quando vi que ela não estava por ali foi que peguei a ponta do dedo e o forçava contra o cotoco, enquanto um outro colega enrolava tudo com um pano. Não lembro dos dias que se passaram depois, nem se fui a um hospital (creio que sim), mas talvez o trauma de tudo isso tenha me levado a acreditar, por anos, a origem errada da cicatriz.
A cirurgia, muito bem feita por sinal, me deixou com poucas marcas e a articulação do dedo indicador não sofreu limitações. A única coisa estranha é quando a cicatriz muda de uma mão à outra. Às vezes sonho com um disco voador. Curiosamente, desde então, meus polegares têm o movimento restrito.
Dias atrás comecei a fazer as contas. Não as contas que devo pagar mensalmente, mas comecei a contar, num simples momento de ócio - coisa rara ultimamente - as cicatrizes que detenho pelo corpo, quase todas adquiridas durante a infância, e as histórias que só a elas pertencem. Muito curiosas, por sinal.
Um exemplo: creio que a primeira em ordem cronológica foi a que tenho na sobrancelha. Parte esta da anatomia humana que desde pequeno chamo de sombrancelha com M, ao contrário do que relata o meu amigo Aurélio, que prefere a primeira opção. Isso tudo por questões de preferência estilística. Ou licença poética. Escolham vocês.
Enfim, eu devia ter no máximo uns 6 anos, porque ainda ia à pré-escola. Meu pai, quando jogava na loteria, sempre me pedia pra escolher os números, e foi isso que fiz. Um jogo era sempre o meu, outro da minha irmã. Um dia, chegando em casa, meu pai disse que eu tinha acertado a quina, e tava rico. Comecei a pular de alegria. Embora pra mim rico seria provavelmente o suficiente pra comprar alguns brinquedos que eu queria e outras baboseiras pra comer. Pulei sem direção e sem prestar muita atenção no que fazia até que, em um desses saltos, pisei numa bola que estava por ali justamente para ser pisada, e bati com a testa num degrau. Só depois descobri que era uma brincadeira do meu pai. Mas querendo ou não, a quina eu acertei. A quina do degrau. Cinco pontos na sombrancelha, cujo prêmio, pra toda vida, foi uma cicatriz.
Algumas vezes abri o joelho durante a infância, mas são tantas cicatrizes uma em cima da outra que nem se percebe mais. Parece um joelho (ou dois) normais. Já na adolescência, apesar de eu sofrer gravemente com a acne e não ter dó de espremer aqueles minivulcões da minha face, por algum motivo inexplicável não fiquei marcado.
Incontáveis vezes cortei os dedos e a mão com papel, inclusive contando dinheiro no banco (quem disse que dinheiro não faz mal a ninguém?) mas creio que nenhuma dessas vezes foi suficientemente profundo pra deixar uma cicatriz. Hoje em dia, no hotel em que trabalho na Itália, não passo mais de uma semana sem cortar os dedos com o papel. Esse é um dos problemas das pessoas sistemáticas...
Mas creio que o caso mais insólito é de uma cicatriz que tenho no dedo indicador da mão. E não digo em qual das mãos a cicatriz está, porque ela passa de uma mão para a outra quando bem quer. Neste momento está na direita, mas nada posso garantir até amanhã.
Durante muito tempo, eu tive quase certeza absoluta que essa cicatriz (à época sempre no dedo da mão esquerda) tivesse ocorrido durante uma pescaria no sítio do meu falecido avô, onde sempre eu passava minhas férias escolares, às vezes sozinho, às vezes com meus primos, desbravando o mato e pescando. Numa dessas pescarias - de lambaris, óbvio, com caniço de taquara (bambu para os leitores do Paraná pra cima) - eu teria, distraidamente, deixado que o anzol se enroscasse no meu dedo e fizesse essa pequena curva perto da dobradiça do meio. Passei anos contando aos colegas dos colégios onde passei, vangloriando-me como se fosse uma cicatriz de guerra, conseguida com um anzol. Ledo engano.
Muitos anos depois, sabe lá por que desrazões da memória, me lembrei o que de fato havia acontecido. Eu e um colega de classe, como todos aqueles da nossa idade, tínhamos cada um seu canivete. E a brincadeira era aquela de, rapidamente, como uma das mãos bem aberta, fazer com que o canivete batesse entre os vãos de cada dedo, o mais rápido possível. Eu era craque nisso e então, com a mão esquerda aberta, comecei os movimentos, ritmados e lentamente aumentando de velocidade. São nessa coisas estúpidas da vida que se percebe o quanto a notoriedade faz bem ao ego. E também o quão fácil é transformar essa vanglória (já diz o próprio nome: vã glória) em arrogância, para em seguida precipitarmos no poço obscuro do ridículo. E é aí que também aprendemos, normalmente a contragosto, como se joga sujo.
Um desafeto, sabendo que eu gostava de uma guria chamada Débora (sinto cheiro do seu perfume até hoje), disse que ela estava vindo. Comecei a suar, enquanto lutava para não errar as batidas e a galera contava pra ver se eu ultrapassava o recorde vigente. Num momento de esperança, estiquei os olhos ao lado pra ver se ela estava ali, e o canivete cortou fora metade do meu dedo. Me sentia como Lula, se àquela época eu o conhecesse e soubesse que era manco dos dedos. Mas não pensei em virar presidente, nem em colar novamente o dedo, só queria que Débora não tivesse visto.
Só quando vi que ela não estava por ali foi que peguei a ponta do dedo e o forçava contra o cotoco, enquanto um outro colega enrolava tudo com um pano. Não lembro dos dias que se passaram depois, nem se fui a um hospital (creio que sim), mas talvez o trauma de tudo isso tenha me levado a acreditar, por anos, a origem errada da cicatriz.
A cirurgia, muito bem feita por sinal, me deixou com poucas marcas e a articulação do dedo indicador não sofreu limitações. A única coisa estranha é quando a cicatriz muda de uma mão à outra. Às vezes sonho com um disco voador. Curiosamente, desde então, meus polegares têm o movimento restrito.
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domingo, 21 de março de 2010
Do tempo
O tempo
passa
Time creeps
El tiempo pasa
y no vuelve jamás
Crescemos, envelhecemos,
vivemos,
e o tempo está sempre ali,
passando,
e nos vendo ficar.
O tempo, cruel,
corre.
Mas meu relógio
parou.
passa
Time creeps
El tiempo pasa
y no vuelve jamás
Crescemos, envelhecemos,
vivemos,
e o tempo está sempre ali,
passando,
e nos vendo ficar.
O tempo, cruel,
corre.
Mas meu relógio
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Constatações
Por mais que a gente tente ou nossa economia avance, ou mesmo se, subitamente, todos os nossos políticos começassem a ser honestos, não tem jeito, a Europa vai estar sempre à frente do Brasil. A não ser que mudem o fuso horário.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2007
O escritor e seus fantasmas*
Hoje achei uma frase que sabe lá de onde tirei mas anotei entre aspas, o que significa que não é minha. Apesar de todo esse cuidado, sabe lá por que razões alheias, não tive o cuidado de anotar o nome do autor. Um pequeno lápis de minha parte.
A frase é bonita, profunda e inspira um senso de responsabilidade incomum. Poética e bem desenvolvida, traz ao leitor (a mim ao menos) a imagem de um escritor já com seus cabelos grisalhos, sério, marcado por rugas de expressão na testa. Ei-la:
"I write because something inside myself, inner and unconscious forces me to. That is the first compulsion. The second is one of ethical and moral duty. I feel responsible to tell stories that inspire readers to consider more deeply who they are."
Por razões que desconheço, não traduzi a frase, o que deixo para cada um de vocês, meus dois leitores.
Há vários motivos que levam uma pessoa a escrever. A falta do que fazer. O excesso de coisas a fazer. Um amigo chamado diário. Um pretenso talento literário. Eu até citaria alguns autores famosos dizendo porque eles escrevem, mas justamente agora me deu um branco (branco: um tema para um futuro post) e preguiça de buscar em meus arquivos. Se lembrar, depois os coloco aqui.
Não poderia deixar de finalizar esse pequeno texto inócuo sem as minhas razões, o que me faz e leva a escrever tanto e tão mal. É fácil.
Escrevo porque é líquido.
________________________________________
* Bela obra de meu amigo Ernesto Sábato.
A frase é bonita, profunda e inspira um senso de responsabilidade incomum. Poética e bem desenvolvida, traz ao leitor (a mim ao menos) a imagem de um escritor já com seus cabelos grisalhos, sério, marcado por rugas de expressão na testa. Ei-la:
"I write because something inside myself, inner and unconscious forces me to. That is the first compulsion. The second is one of ethical and moral duty. I feel responsible to tell stories that inspire readers to consider more deeply who they are."
Por razões que desconheço, não traduzi a frase, o que deixo para cada um de vocês, meus dois leitores.
Há vários motivos que levam uma pessoa a escrever. A falta do que fazer. O excesso de coisas a fazer. Um amigo chamado diário. Um pretenso talento literário. Eu até citaria alguns autores famosos dizendo porque eles escrevem, mas justamente agora me deu um branco (branco: um tema para um futuro post) e preguiça de buscar em meus arquivos. Se lembrar, depois os coloco aqui.
Não poderia deixar de finalizar esse pequeno texto inócuo sem as minhas razões, o que me faz e leva a escrever tanto e tão mal. É fácil.
Escrevo porque é líquido.
________________________________________
* Bela obra de meu amigo Ernesto Sábato.
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Diálogo no supermercado
Mãe e filha andam, avistam uma freira, que passa. Logo após, a mãe comenta:
- Viu filhinha? Uma freira igualzinha à da novela!
- Viu filhinha? Uma freira igualzinha à da novela!
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