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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ver

Ver como um ser 
desamparado de véus
e ter a morte como companheira
de jornada

é meu sim que me mente por inteiro
contra a vergonha
insuportável.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sem tempo

sábado, 1 de setembro de 2007

A década Bukowski

Saúdo Charles Bukowski. Porque é a vida sem frescuras que imaginamos ter. Porque é ser seco com outros, sem se importar, como gostaríamos de fazer. Porque o desprezo exercitado continuamente nos traz um ceticismo incomparável. Porque o ceticismo é uma virtude que nos vale por toda a vida, um aprendizado contínuo da natureza humana, um perceber de detalhes indescritível.

Saúdo Bukowski. Como também o faço a John Fante, que mostra as fraquezas tragicômicas da juventude, e o ridículo nosso de cada dia é também uma aula que não se pode desperdiçar. A raiva de nosso ridículo é um motor impulsionando nossas vidas. Para mais situações ridículas, mas ainda assim um motor.

Saúdo Mr. Salinger, o recluso. Saúdo Pedro Juan, o Gutiérrez. O grotesco, o cru, o inenarrável, o deplorável: detestável e excitante, estímulo e ojeriza, tentação e nojo, paixão, ódio e desprezo. Asco.

Saúdo Rubem Fonseca, o mestre.

Saúdo enfim todos os anjos e demônios que me acompanham nessa década. Por que haverá um fim (sempre há de ter) para toda obra literária. Há data e hora, mas ainda não há local.

No dia 22 de abril de 2014 às 23h59 encerra-se a década e a ressaca contínua, e saudarei a meus mestres com muita gratidão. A partir daí, vida nova. Seja lá o que isso quer dizer.

domingo, 18 de março de 2007

Rondelli de abobrinha

É a madrugada de uma ressaca sem fim, que por ressaca começa e por ressaca se mantém. Mas a ressaca usa boné. Porque o sono foi maldormido ou simplesmente não tenha sido, ou porque "O povo do queijo mandou me chamar", ou ainda que foi rápido e ao mesmo tempo duradoura essa manhã. Tudo acaba numa lasanha.

Havia fontes e bonés que não vi, mas havia. E o vento ali, ao lado. E a manhã desperta. The book is on the table. And the table is over another book.

E foi o vinho. Ou a cerveja. Ou nada disso. Mas foi, e foi legal. Too damn good.

E torcemos para que seja lá o que for que caiu do céu neste momento seja tão só e unicamente água.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

"Minha alma embriagada de cerveja é mais triste do que todas as árvores de Natal mortas do mundo" *

O maior dos porres não consegue amenizar a pior das dores, o sentimento vago no peito. Apenas o protela. Pois vem a inconsciência, a loucura, o êxtase, o sono, a ressaca, a noite mal dormida, a boca seca, a dor de cabeça, as revoluções do estômago e isso acaba por preencher nosso dia, mas não o vazio. E ele é adiado o suficiente até conseguirmos senti-lo de novo e, mais uma vez, nos inebriarmos de embustes.

E por mais que ganhemos dinheiro, que possamos andar de carro, que encontremos uma bela mulher - e façamos amor com ela - que ouçamos uma música interessante, nada preenche realmente o vazio. E é por isso que trocamos de carros, de empregos, de mulheres, de cd's. Para tentar preencher o vazio que nunca é satisfeito. Como se ele absorvesse o que nele colocamos para mais tarde esvaziar-se novamente. E essa é a eterna busca do homem. A busca incerta de não se sabe o quê.

(*) O título é uma breve citação/homenagem a Henry Charles Bukowski in: Factotum, 1975.