O Minotauro (touro de Minos) vivia em um labirinto na ilha de Creta. O labirinto foi erguido por Dédalo (palavra usada em portugês também como sinônimo de labirinto) a pedido do rei Minos para abrigar o monstro. Conta a lenda que antes de se tornar rei, Minos havia feito um pedido aos deuses para conseguir o trono. Poseidon (ou Netuno para os romanos) concordou contanto que Minos sacrificasse em sua homenagem um touro branco que sairia do mar. Admirado pela beleza do touro, Minos acabou por sacrificar outro touro, esperando que Poseidon não percebesse. Ledo engano.
(Segundo o Aurélio, ledo significa "risonho, alegre". Já meu amigo Michaelis acrescenta também os adjetivos "contente, jubiloso")
Alegre engano.
Furioso, Poseidon fez com que a esposa do rei, Pasífae (!), se apaixonasse então pelo touro branco e desta feliz união nasceu o famigerado Minotauro, com cabeça e rabo de boi e corpo humano.
O malvado rei Minos ainda exigia que todo ano sete moças e sete rapazes fossem entregues a seu bastardo para saciar sua fome e vontade de comer. Foi então que apareceu o grande herói Teseu disposto a matar a besta. Ariadne, filha do rei Minos, ao ver Teseu com toda aquela desenvoltura e o nome estranho comuns aos políticos, achou que o rapaz tinha alguma influência e afeiçoou-se a ele, dando-lhe um novelo de lã mágico e uma espada. Na verdade a espada é que era mágica e o novelo de lã era, bem... um belo novelo.
No labirinto adentrou Teseu
e o Minotauro se fudeu.
Percebe-se com essa história como era culto o povo grego, pois já àquela época conheciam a narrativa de João e Maria e, desta forma, evitavam o rastro de migalhas de pão. Piadas infames à parte, essa história demonstrava aos jovens gregos o que poderia acontecer se se opusessem às vontades dos deuses. Uma forma de intimidação moral recorrente nas diversas religiões deste e de outros mundos. Ou seja, se desobedeceres aos deuses, tua mulher trair-te-á com um bicho, e ainda terás que alimentar o rebento.
A ironia - sempre aparece ela nessas histórias - do destino é que apesar da mulher ter traído o monarca com um touro, o corno mesmo foi o rei Minos. (Hein hein?)
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sábado, 3 de novembro de 2007
domingo, 22 de julho de 2007
Glórias a Nin-kasi
Por volta de 3.000 a.C., nas imediações dos rios Tigre e Eufrates, no que hoje é o Iraque, desenvolveu-se o povo Sumério. Acredita-se que dentre os muitos legados deixados à humanidade por eles está a escrita, que teria sido criada nesta época, e a roda. Suas principais cidades eram Ur, Uruk e Lagash, que se revezaram ao longo dos séculos seguintes como as "capitais" desta civilização mesopotâmica. Todos os deuses sumérios eram dotados das mesmas condições e necessidades físicas dos seres humanos: comiam, bebiam, casavam e discutiam entre si. Segundo sua crença, os homens haviam sido moldados pelos deuses, a partir da argila, unicamente para servirem como escravos.
Muitos dos mitos e invenções sumérias influenciaram outras civilizações antigas. Vê-se boa parte espelhada na cultura egípcia, greco-romana e até no dias de hoje: os sumérios utilizavam na matemática o sistema sexagesimal, ou seja, baseado no número 60. Este é tido como o antepassado do sistema decimal arábico vigente e vemos resquícios dele até hoje, como a hora de 60 minutos e o círculo de 360 graus.
Mas talvez o legado mais importante dessa civilização praticamente desconhecida nos dias de hoje - cujas ruínas são destruídas a cada dia mais pelos bombardeios e atentados - é a cerveja. A bebida mais comum na época não continha ervas preservativas, como o lúpulo, que somente seria usado na fabricação por volta do ano 1.000 d.C., mas era amplamente difundida a todos os cidadãos. Cerca de 40% da produção de cereais da Suméria era destinada aos tonéis das cervejarias. Trabalhadores comuns dos Zigurates (os templos sumérios) recebiam uma ração de 1 litro por dia. Já homens mais importantes na sociedade poderiam receber até cinco vezes mais.
O panteão de divindades sumérias ultrapassava as 3 mil entidades, e dentre elas se encontrava Nin-kasi, a deusa que presidia a preparação da cerveja. No dialeto sumério Nin-kasi significa "a senhora que enche a boca", numa certeira alusão ao esporte preferido dos sumérios e, hoje em dia, dos brasileiros.
Mais tarde a Suméria foi unificada e dividida inúmeras vezes, por diferentes povos invasores, mas manteve as principais características de sua cultura que se moldaram às outras. Mas isso é conversa pra outro dia.
O que eu queria exatamente era, no dia de hoje, oferecer um brinde à Nin-kasi. Que ela encha nossa boca.
Cheers!
Muitos dos mitos e invenções sumérias influenciaram outras civilizações antigas. Vê-se boa parte espelhada na cultura egípcia, greco-romana e até no dias de hoje: os sumérios utilizavam na matemática o sistema sexagesimal, ou seja, baseado no número 60. Este é tido como o antepassado do sistema decimal arábico vigente e vemos resquícios dele até hoje, como a hora de 60 minutos e o círculo de 360 graus.
Mas talvez o legado mais importante dessa civilização praticamente desconhecida nos dias de hoje - cujas ruínas são destruídas a cada dia mais pelos bombardeios e atentados - é a cerveja. A bebida mais comum na época não continha ervas preservativas, como o lúpulo, que somente seria usado na fabricação por volta do ano 1.000 d.C., mas era amplamente difundida a todos os cidadãos. Cerca de 40% da produção de cereais da Suméria era destinada aos tonéis das cervejarias. Trabalhadores comuns dos Zigurates (os templos sumérios) recebiam uma ração de 1 litro por dia. Já homens mais importantes na sociedade poderiam receber até cinco vezes mais.
O panteão de divindades sumérias ultrapassava as 3 mil entidades, e dentre elas se encontrava Nin-kasi, a deusa que presidia a preparação da cerveja. No dialeto sumério Nin-kasi significa "a senhora que enche a boca", numa certeira alusão ao esporte preferido dos sumérios e, hoje em dia, dos brasileiros.
Mais tarde a Suméria foi unificada e dividida inúmeras vezes, por diferentes povos invasores, mas manteve as principais características de sua cultura que se moldaram às outras. Mas isso é conversa pra outro dia.
O que eu queria exatamente era, no dia de hoje, oferecer um brinde à Nin-kasi. Que ela encha nossa boca.
Cheers!
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