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domingo, 6 de fevereiro de 2011
Era eu aquele livro
Entre a certeza e a indecisão
ah, indecisão!
No final do dia,
dos dias
do fogo, o fogo
ainda.
Era eu aquele livro. Era
eu!
Mas ninguém me acreditou,
e fui virado
como uma página.
De um livro,
nem um índice, nem um prólogo.
De um livro
nem ao menos
o prefácio.
De um livro,
longe da introdução, de um
capítulo.
A milhas da conclusão.
De um livro,
no máximo um epílogo.
Da vida,
um epitáfio.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
Poema da insônia I
Cego. Eu creio
e vivo a vida,
sigo a estrada
inacabada
do meio.
Receio.
A certeza caída,
a verdade quebrada,
dilacerada
ao meio.
Sou cego, mas leio
e sem saída
saí pela entrada,
caí na escada:
quebrei a costela do meio.
Foi feio.
Mas a despedida
foi adiada
porque, atrasada,
você não veio.
Devaneio:
você despida,
entra apressada,
embriagada,
teu seio.
Não creio,
mas foi a partida
da vida errada.
A frase acabada
no meio.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O uivo

Na madrugada fria abro a janela do quarto. O rio em minha frente. O vento gelado me congela, mas me deixo ficar. E ouço ecos distantes, que confundem-se. Uns mais altos, outros mais baixos. As ruas estão desertas, os bares estão fechados, a pessoas se trancam no calor da solidão italiana.
Os ecos me intrigam. Olho o rio, que reflete luzes esparsas. Hoje fez sol. Amanhã? Nem a previsão do tempo sabe.
Amanhã é outro dia. Ontem voei sobre a torre de Pisa. Amanhã conquistarei impérios. Hoje foi o meu exílio. E eu não sei mais se volto pro espaço ou pro fundo do mar.
Pois meu nome é querer.
Pois meu nome é impronunciável. Pois meu nome é intraduzível.
E entre os bosques dos Alpes, nas neves eternas, com a lua ao fundo e o céu estrelado, ouve-se o uivo de um lobo. Um lobo que enxerga o mundo pelo alto. Um lobo que se esconde da vida. Um lobo que foge do medo e vê no futuro algo disforme, impreciso, que o atrai.
Um abismo.
E ele se chama urgência.
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