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domingo, 29 de setembro de 2013
Delírio
Eram seres
de sons estranhos
de vidas tortas
lugar algum
Parecia
mas não era um sonho
era um delírio
do cão bebum
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segunda-feira, 4 de junho de 2012
Antipasto
Não mais verão,
inverno,
inferno!
E o verão se foi
com os dias que se foram.
Que se fodam!
Veremos, então,
se eles verão
o verão
que virá
com os dias que virão.
Veramente...
~ Z ~
Anos atrás fiz um poema parecido com o acima. De 23 de janeiro de 2005. Ei-lo:
É verão e o sol quente é como os dias que virão.
Como eles verão o verão dos dias (e das noites) que viramos?
Não se sabe ao certo.
O amanhecer do sol, nascer no verão...
veremos dias na manhã do amanhã?
Virei a página, varei a noite, verei o luar do verão que se foi.
Verão a página do verão à noite.
Como verão os dias da primavera? Como o frio do inverno?
Comoverão?
Serão os dias? Como os verão?
Serão os dias como o verão?
Virão os dias?
Deverão?
Veremos.
Sete anos atrás. Eu, ébrio já, procurava um destino, que ainda procuro, embora, muito embora agora eu esteja deveras mais próximo. Àquela altura nem formado eu era. Eu era um qualquer em busca de algo desconhecido. Melhorei um pouco, vivi um pouco. Porém vocês, meus fantasmas, hão de concordar que o mundo, assim como tudo, é cíclico e eternamente retorna, como vê-se pelos versos tortos acima transcritos.
Fiz inúmeras coisas deixadas pela metade, outrossim, várias e inúmeras coisas me deixaram pela metade. Porém o tempo passa e ao mesmo tempo é eterno e é cíclico. Pois envelhecemos, e ele passa. Pois o tempo não envelhece, e é, desta forma, eterno. Pois os anos e as estações se repetem e, vós vedes, é cíclico.
A unicidade e a incongruência trina e una do tempo. A afirmação, a negação e a transposição da verdade, no tempo. O tempo ceifa o vento. O tempo, o tempo, a incógnita suprema. Demasiado simples, demasiado complexo.
Demasiado.
E nós, aqui, a indagar-nos. Ao invés de beber, em um bar.
~ Z ~
Vamos, como o tempo que só vai. E o tempo foi indo, indo, indo... e iu!
Sei das minhas limitações. Reconheço meus defeitos e tento ao poucos torná-los mais suportáveis aos outros e a mim.
Acusando-me assim obtenho subitamente vossa compreensão e comiseração com minha vil situação atual. O compadecimento alheio é facilmente conquistado. A compaixão encontramo-la nas esquinas mas lúgubres. E assim conseguimos a força que nos faz sobrepor pequenos e intangíveis obstáculos.
Toda essa enrolação é pra dizer, em palavras bonitas, que como prometido neste post, DEVO terminar os relatos de minha viagem pela Europa antes de seu aniversário de 2 anos. E o farei, visto que os dois anos completar-se-ão em agosto e férias me aguardam no próximo mês, onde poderei visitar amigos paranaenses e parentes gaúchos, deixando, contudo, o coração em Santa Catarina.
É, porém, o destino escrito e deve ser seguido, sob pena de intempéries e impropérios das mais variadas formas.
Despeço-me com um gole do meu uísque que, como eu, treme de frio nesta madrugada insólita de chuva eterna. Esta chuva, que passa, como o tempo, que retorna, como o tempo, e que, como o tempo, infinita é.
Saluti!
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sábado, 9 de abril de 2011
Delírio
Era a vida a fugir
com as pernas
do delírio.
Era o caos.
Do cão,
o frio.
E a morte
à espreita.
- Mas do quê se foge?
Sei que quis.
Mas o rio deságua
na foz
da amargura.
- Mas do quê se foge?
A distância matou-me
com direito a replay
a replay
Mas era a
vida a fugir com
as pernas
do delírio.
Rei do mundo,
Rei do azul,
cri na vida e
caí na poça sem fundo
dentro do poço do calabouço
do engano-mundo.
- Mas do quê se foge?
Tentei.
Mas tentar exige estímulos
que são gerados por uma
força.
Mas se a força não
existe,
o que se cria
é o nulo:
uma ilusão de vida
besta.
Besta!
- Mas do quê se foge?
A ilusão, porém,
persiste.
Apesar de nula
eterna é a força,
e cíclica é,
e é eterna.
E o círculo não morre
jamais.
Mas a vida
fugiu
com as pernas do
delírio.
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Do futuro
Bebo uma cerveja. O frio passa em frente à minha janela. As luzes do quarto apagadas. Eu olho pela janela. Eu penso.
Outro gole. Tiro os óculos e de repente minha visão se embaça. Vejo luzes e escuros desfocados. O frio passa. Olho pro relógio: é tarde, muito tarde. Eu penso.
O computador toca Cafe Tacuba. É incrível como a língua espanhola é melancólica, e ao mesmo tempo tão bela. Outro gole. E eu penso no futuro.
O futuro...o futuro promete e ao mesmo tempo distancia. O futuro poderia ser belo como uma música do Cafe Tacuba. Poderia ser simples. Mas a simplicidade não combina com Deus. Deus exige o complexo, o caos, a provação. Deus exige atenção.
Deus exige.
Outro gole. Abro a janela e o frio entra e me envolve. Me deixo ficar. O futuro está próximo. El futuro es mañana. Una mañana linda...
A cerveja termina. O frio continua. O futuro, em um mês, dará provas de existência. "Espero que Deus não seja tão sarcástico comigo", estava escrito no livro.
"Amém", disse o poeta, últimas palavras, lucidez completa.
Depois, silêncio.
Outro gole. Tiro os óculos e de repente minha visão se embaça. Vejo luzes e escuros desfocados. O frio passa. Olho pro relógio: é tarde, muito tarde. Eu penso.
O computador toca Cafe Tacuba. É incrível como a língua espanhola é melancólica, e ao mesmo tempo tão bela. Outro gole. E eu penso no futuro.
O futuro...o futuro promete e ao mesmo tempo distancia. O futuro poderia ser belo como uma música do Cafe Tacuba. Poderia ser simples. Mas a simplicidade não combina com Deus. Deus exige o complexo, o caos, a provação. Deus exige atenção.
Deus exige.
Outro gole. Abro a janela e o frio entra e me envolve. Me deixo ficar. O futuro está próximo. El futuro es mañana. Una mañana linda...
A cerveja termina. O frio continua. O futuro, em um mês, dará provas de existência. "Espero que Deus não seja tão sarcástico comigo", estava escrito no livro.
"Amém", disse o poeta, últimas palavras, lucidez completa.
Depois, silêncio.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Aquele ali
Eu sou um narrador em terceira pessoa. Embora agora eu esteja falando de mim, o que me desmente, estou aqui pra falar de outro. Aquele ali, que tà sentado na mureta com a mao no bolso. A mao, no singular. A outra nao tà no bolso.Aquele ali, que tà sentado na mureta com a mao no bolso, neste momento procura alguma coisa no bolso da camisa, com a outra mao que nao estava no bolso, embora agora esteja, mas em outro. E muito embora eu seja um narrador em terceira pessoa, o escritor que me criou e que criou também aquele ali, que tà sentado na mureta com a mao no bolso, nao me fez onisciente. Quer dizer que eu nao sei dizer o que se passa na cabeça daquele ali, que tà sentado na mureta com a mao no bolso. Também nao sei seu nome, nem ao menos o que procura no bolso. E se por acaso aquele ali, que tà sentado na mureta com a mao no bolso, resolver ir embora, nao poderei mais dizer nada a seu respeito.
A outra mao daquele ali, que tà sentado na mureta com a mao no bolso, que procurava qualquer coisa no outro bolso, o da camisa, a outra mao saiu de là, segurando um maço de cigarros.
Com um cigarro na boca aquele ali, que tà sentado na mureta, agora nao tem mais nenhuma mao em bolso algum, porque a mao que estava dentro do bolso saiu de là com um isqueiro pra acender o cigarro daquele ali, que agora està fumando, ainda sentado na mureta.
Aquele ali, sentado na mureta, fumando, tirou o òculos de sol pra coçar os olhos e virou a cabeça pro outro lado da mureta, botou de novo os òculos e coçou o saco com a mao que estava primeiro no bolso. A outra mao jogou a bituca fora, e entrou no outro bolso, enquanto a primeira mao daquele ali, que coçava o saco em cima da mureta, ajudou a dar o impulso pra sair da mureta e entao aquele ali, que tava na mureta com a mao no bolso, atravessou a rua e dobrou a esquina.
Aquele ali, que jà nao està mais na mureta, que coçou o saco e jà dobrou a esquina, aquele ali ninguém sabe de seu fim. Nao sabemos nem ao menos se a outra mao ainda està no bolso. Ou se coça o saco pelo furo do bolso. Ou se fuma outro cigarro, colocado na boca pela primeira mao, que no inìcio estava no bolso.
A ùnica coisa que sei è que nao tem mais ninguém ali.
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Resolvido o maior problema do século
Durante este tempo que estou aqui na bota, mais de um ano, aprendi o nome de várias comidas, que com saudade da culinária brasileira eu procurava aqui. Mas uma coisa eu nunca descobri: como se chama o chuchu em italiano.
Chuchu nao tem gosto, eu sei, mas fazer o que, é bom. E meus dicionários sempre me negavam a tradução desta palavra. Até hoje.
Usando um pouco a testa, ao invés de traduzir diretamente pro italiano, resolvi procurar na língua dominante do mundo, e descobri que chuchu em inglês cham-se chayote. Daí, sabendo que a italianada gosta de puxar o saco do tio sam (quando nao traduzem uma palavra, usam em ingles mesmo), coloquei no dicionário chayote e em italiano o nosso famoso chuchu chama-se zucchina centenaria. Zucca em italiano é abóbora. Seria alguma coisa como abobrinha centenária.
Agora nao me perguntem o porque de tudo isso.
Chuchu nao tem gosto, eu sei, mas fazer o que, é bom. E meus dicionários sempre me negavam a tradução desta palavra. Até hoje.
Usando um pouco a testa, ao invés de traduzir diretamente pro italiano, resolvi procurar na língua dominante do mundo, e descobri que chuchu em inglês cham-se chayote. Daí, sabendo que a italianada gosta de puxar o saco do tio sam (quando nao traduzem uma palavra, usam em ingles mesmo), coloquei no dicionário chayote e em italiano o nosso famoso chuchu chama-se zucchina centenaria. Zucca em italiano é abóbora. Seria alguma coisa como abobrinha centenária.
Agora nao me perguntem o porque de tudo isso.
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segunda-feira, 4 de junho de 2007
O EXAME PSIQUIÁTRICO PRÉ-ADMISSIONAL
Tudo isso ocorreu nos idos de março ou abril de 2003, enquanto fazia os exames necessários para a admissão no banco. Mas comecemos pelo princípio.
Sempre quis ver um divã na minha vida. Cresci ouvindo falar em psiquiatras e psicólogos e psicanalistas (algum dia eu já soube a diferença de cada um) com divãs no consultório e bustos de Freud por todos os lados.
O endereço era JK 277 (foi alterado para preservar a imagem do psiquiatra) e eu passava do 270 ao 280 e nada. Até me dar conta de que 277 era do outro lado da rua. Torcia para que o doutor não estivesse na janela do consultório observando minhas vãs idas e vindas e fazendo 'tsc tsc' com a cabeça: "esse não passa".
Entrei. Primeiro andar, fui de escada mesmo. Adentrei a salinha. A secretária me olhava, eu olhava ao redor. Comecei a perscrutar a sala de espera, reparava em tudo: rachaduras, quadros, revistas, lâmpadas, moscas, o trânsito pela janela. Estaria eu ficando paranóico justo naquele instante?
"Tenho uma consulta às..." seguiram-se os procedimentos normais de qualquer consulta, sentei, e nesse mesmo instante começaram a chegar pessoas. Olhava-as. Todas pareciam um pouco loucas. Ou era eu o louco ali? Tentava imaginar o que levava essas pessoas a um psiquiatra. Primeiro, uma mulher, com seus 50 e tantos anos que tinha um jeito estranho nos gestos. Tomava Prozac. Ela e a filha. Tinha ido buscar receita pras duas. Depois entrou um rapaz um pouco gordinho. Puxou conversa com a secretária. Parecia normal, amigo do médico. Falava de família com ela, feriadão, viagens. Repentinamente ela pergunta seu nome para apresentá-lo ao médico. "Ferrari", responde.
Ferrari. Esse nome definitivamente não é normal. E eu esperava. Chegou um homem barbudo, com uma pochete na cintura e meio hesitante nos gestos. Mantinha uma certa distância de tudo. Em seguida entrou um maluco de capacete na cabeça. Bom, acho que não era maluco, era um motoboy. Mas como eu já estava no clima...
Enfim, o Ferrari foi embora e eu entrei. Apreensão. Emoção. Finalmente verei um divã! Eis que, senão quando, olhei para os lados e só faltou pegar o psiquiatra pelo colarinho e chacoalhá-lo contra a parede, gritando "Cadê o maldito divã!?" Não havia um divã. Não havia! Apenas duas singelas cadeiras em frente à mesa e, mais ao canto, duas cadeiras maiores e uma pequena.
Manti-me calmo, afinal, ele poderia pensar que eu era louco, e isso é algo que definitivamente não sou, embora seja meio obsessivo em algumas coisas. O que me fez feliz é que havia um busto de Freud. Pequeno, de plástico branco, quase irreconhecível, mas tinha um cavanhaque discreto e tomei ele como se fosse Freud e pronto. Podia ser qualquer pessoa de cavanhaque, podia ser, inclusive, uma falha no plástico e não um cavanhaque, mas pra mim era Freud. Também havia dois globos. Por que cargas d´água haveria de existir dois globos terrestres num consultório psiquiátrico? Um era pequeno, do tamanho de um punho. O outro era grande. Talvez pra mostrar a dualidade das pessoas que têm dupla personalidade, o ego e o id, ou o superego, ou sabe-se lá o quê. Mas havia. Talvez o psiquiatra fosse fã de geografia. Começou o diálogo:
-Quer dizer então que você vai trabalhar num banco, hein?
-É.
-PUTA QUE PARIU! Tirou a sorte grande!
Talvez o doutor fale palavrões de cara pra tentar detectar algum espanto, algo em nossa conduta que ele possa identificar como patológico. Porém manti-me frio e calmo. Quase xinguei também, mas me contive.
A conversa decorreu de maneira estranha. Ele perguntava coisas aleatórias, eu respondia monossilábico. Isso mostra o papel burocrático de exames pré-admissionais. Eu mal falei e fui considerado qualificado. Acho que só se eu o atacasse exigindo que trouxessem um divã ele teria me julgado inapto. Ninguém que responde a um psiquiatra monossilabicamente devia ser considerado são. Ou não. Mas fico feliz que descobri que sou. Afinal, ele poderia pensar que eu era lacônico devido a alguma psicose ou perturbação que me fazia pensar em coisas maléficas, como roubar um banco. Ou um divã. Enfim, sou normal.
Ao sair, já me sentia em casa e cumprimentei a todos, até ao homem da pochete que estava sentado no banco, tremendo. Não vi o divã, mas foi como se o tivesse visto.
Ou não.
Sempre quis ver um divã na minha vida. Cresci ouvindo falar em psiquiatras e psicólogos e psicanalistas (algum dia eu já soube a diferença de cada um) com divãs no consultório e bustos de Freud por todos os lados.
O endereço era JK 277 (foi alterado para preservar a imagem do psiquiatra) e eu passava do 270 ao 280 e nada. Até me dar conta de que 277 era do outro lado da rua. Torcia para que o doutor não estivesse na janela do consultório observando minhas vãs idas e vindas e fazendo 'tsc tsc' com a cabeça: "esse não passa".
Entrei. Primeiro andar, fui de escada mesmo. Adentrei a salinha. A secretária me olhava, eu olhava ao redor. Comecei a perscrutar a sala de espera, reparava em tudo: rachaduras, quadros, revistas, lâmpadas, moscas, o trânsito pela janela. Estaria eu ficando paranóico justo naquele instante?
"Tenho uma consulta às..." seguiram-se os procedimentos normais de qualquer consulta, sentei, e nesse mesmo instante começaram a chegar pessoas. Olhava-as. Todas pareciam um pouco loucas. Ou era eu o louco ali? Tentava imaginar o que levava essas pessoas a um psiquiatra. Primeiro, uma mulher, com seus 50 e tantos anos que tinha um jeito estranho nos gestos. Tomava Prozac. Ela e a filha. Tinha ido buscar receita pras duas. Depois entrou um rapaz um pouco gordinho. Puxou conversa com a secretária. Parecia normal, amigo do médico. Falava de família com ela, feriadão, viagens. Repentinamente ela pergunta seu nome para apresentá-lo ao médico. "Ferrari", responde.
Ferrari. Esse nome definitivamente não é normal. E eu esperava. Chegou um homem barbudo, com uma pochete na cintura e meio hesitante nos gestos. Mantinha uma certa distância de tudo. Em seguida entrou um maluco de capacete na cabeça. Bom, acho que não era maluco, era um motoboy. Mas como eu já estava no clima...
Enfim, o Ferrari foi embora e eu entrei. Apreensão. Emoção. Finalmente verei um divã! Eis que, senão quando, olhei para os lados e só faltou pegar o psiquiatra pelo colarinho e chacoalhá-lo contra a parede, gritando "Cadê o maldito divã!?" Não havia um divã. Não havia! Apenas duas singelas cadeiras em frente à mesa e, mais ao canto, duas cadeiras maiores e uma pequena.
Manti-me calmo, afinal, ele poderia pensar que eu era louco, e isso é algo que definitivamente não sou, embora seja meio obsessivo em algumas coisas. O que me fez feliz é que havia um busto de Freud. Pequeno, de plástico branco, quase irreconhecível, mas tinha um cavanhaque discreto e tomei ele como se fosse Freud e pronto. Podia ser qualquer pessoa de cavanhaque, podia ser, inclusive, uma falha no plástico e não um cavanhaque, mas pra mim era Freud. Também havia dois globos. Por que cargas d´água haveria de existir dois globos terrestres num consultório psiquiátrico? Um era pequeno, do tamanho de um punho. O outro era grande. Talvez pra mostrar a dualidade das pessoas que têm dupla personalidade, o ego e o id, ou o superego, ou sabe-se lá o quê. Mas havia. Talvez o psiquiatra fosse fã de geografia. Começou o diálogo:
-Quer dizer então que você vai trabalhar num banco, hein?
-É.
-PUTA QUE PARIU! Tirou a sorte grande!
Talvez o doutor fale palavrões de cara pra tentar detectar algum espanto, algo em nossa conduta que ele possa identificar como patológico. Porém manti-me frio e calmo. Quase xinguei também, mas me contive.
A conversa decorreu de maneira estranha. Ele perguntava coisas aleatórias, eu respondia monossilábico. Isso mostra o papel burocrático de exames pré-admissionais. Eu mal falei e fui considerado qualificado. Acho que só se eu o atacasse exigindo que trouxessem um divã ele teria me julgado inapto. Ninguém que responde a um psiquiatra monossilabicamente devia ser considerado são. Ou não. Mas fico feliz que descobri que sou. Afinal, ele poderia pensar que eu era lacônico devido a alguma psicose ou perturbação que me fazia pensar em coisas maléficas, como roubar um banco. Ou um divã. Enfim, sou normal.
Ao sair, já me sentia em casa e cumprimentei a todos, até ao homem da pochete que estava sentado no banco, tremendo. Não vi o divã, mas foi como se o tivesse visto.
Ou não.
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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
To have their own master (not only a master)
While doing cheatings
and mistaking errors
good or bad
evil or devil amazing
chords
amazing chores
echoes
over, under, besides the old
and starving face
mystery runs over the roof
mystery and its neighbours
Not a shell, not a shelf
not a smiling yell
not a trusty face
not a shady race
not a hand but an elbow
not a place, but a butt
knees over faces
Rotting traces of smoking
zombies
Against an enemy of thoughts
nothing - no one will succeed
and mistaking errors
good or bad
evil or devil amazing
chords
amazing chores
echoes
over, under, besides the old
and starving face
mystery runs over the roof
mystery and its neighbours
Not a shell, not a shelf
not a smiling yell
not a trusty face
not a shady race
not a hand but an elbow
not a place, but a butt
knees over faces
Rotting traces of smoking
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Against an enemy of thoughts
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sábado, 13 de janeiro de 2007
X - DAY : The Beginning Of The World
The rupture of
the equilibrium
and the violation
of the ©ode
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segunda-feira, 30 de outubro de 2006
A expectativa é a única a esvaecer
E hoje lá ia eu andando por estas ruas, que nos países de fala espanhola são chamadas de calles, e topei com um abstêmio. Me disse - e fez questão de me antes de dizer - que as auréolas hoje são raras e, como um bom taciturno, não se locupletava indistintamente. Sorumbático de espanto, esquizofrenei-o de interrogações exclamativas exigindo melhoras, mas não as obtive. O abstêmio, com aquele ar escalafobético intrínseco àqueles que primam pela excentricidade extrínseca e concêntrica, anatematizou-me e, trêfego, como convém aos abstêmios, exauriu pela fresta à direita.
Com opróbrios nauseabundos, exteriorei minha cólera. Não pude catequizar-me sob tal suspeição. Obcecado, ermo e lúgubre, o vento enlevou minhas memórias a tal ponto que chafurdaram nas lamas do brejo de lava incandescente.
Qüiproquós guincharam desesperados. The return has begun. Por ora, horas não são bem vindas, nem bem vistas. Inebriado pela exasperação do acontecido, entornei a garrafa de Água benta até virar abstêmio.
Fui traído.
Com opróbrios nauseabundos, exteriorei minha cólera. Não pude catequizar-me sob tal suspeição. Obcecado, ermo e lúgubre, o vento enlevou minhas memórias a tal ponto que chafurdaram nas lamas do brejo de lava incandescente.
Qüiproquós guincharam desesperados. The return has begun. Por ora, horas não são bem vindas, nem bem vistas. Inebriado pela exasperação do acontecido, entornei a garrafa de Água benta até virar abstêmio.
Fui traído.
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