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domingo, 23 de agosto de 2015

COME ON IN!


welcome to my wormy hell.
the music grinds off-key.
fish eyes watch from the wall.
this is where the last happy shot was
fired.
the mind snaps closed
like a mind snapping
closed.
we need to discover a new will and a new
way.
we're stuck here now
listening to the laughter of the
gods.
my temples ache with the fact of
the facts.
I get up, move about, scratch
myself.
I'm a pawn.
I am a hungry prayer.
my wormy hell welcomes you.
hello. hello there. come in, come on in!
plenty of room here for us all,
sucker.
we can only blame ourselves so
come sit with me in the dark.
it's half past
nowhere
everywhere.


CHARLES BUKOWSKI

segunda-feira, 29 de março de 2010

Do trato com a vida

Uno a embarcação
ao porto
e canto a convulsão
de um ser extinto.

Amo o sangue
que me crucia e doma,
com seu ferro.

Não espero
dos deuses,
pois engendro
o deus que me transfere
a solidão de ser
meu próprio invento.

Sou poeta,
formo o ciclo do tempo,
onde me enterro.

II

E vós quem sois? Vós que mostrais o orgulho
de monarcas sentados em seu trono e a ambição
de um jorro que se extingue. Quem sois?

Nada transpõe vossa usura,
nada transpõe a vaidade
das gazelas, com rosto de cavalo.

Vós que desprezais
do canto, a mina;
do tear da vida, a linha,
quem sois?

III

Se mostrardes
a erosão do dia
nas carroças,
concordarei com o sangue.

Se mostrardes
o término do jugo e sua máquina,
calada e represada,
concordarei com o sangue.

Não.
Não pactuo.
Não pactuo com o numerário das serpentes,
tentando violar a talha da nascente.

Não pactuo
com as garras
e o estômago encurvado
deste animal em desuso.

Não pactuo
com a turbulência fátua
da morte e o senhorio
que nos arrasta.

Entre areias sepultas,
estreitado na erva,
odiai-me fundamente.
Não pactuo.

Brotando das idades,
arbusto,
levedado no mundo,
odiai-me.

Sou vosso vômito profundo.

(Carlos Nejar)