segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Penso, logo existo

A prova de admissão ao mestrado será essa semana. Na verdade, eu ainda nem sei se farei essa prova, porque antes de tudo isso tem uma análise curricular que pode me excluir definitivamente do certame. E a lista de quem faz a prova sai na quarta. A prova será na sexta. E eu to começando a pegar mais pesado nas minhas traduções doidas. E to ficando doidim, doidim,

E nessa pira, que sempre me leva a mudar de direção, porque começo a traduzir um texto, busco uma palavra no dicionário, mas dali já passo por uma outra interessante que sempre quis saber e assim vai infinitamente e quando vejo traduzi muito pouco do texto que eu me propunha, embora de alguma forma também tenha adquirido algum conhecimento igualmente útil.

Enfim toda essa ladainha foi porque eu tava nessa pira, tá ligado?, de viajar nos dicionários e de repente me deparei com a famosa frase de Renè Descartes, que é o título desse post (tenho que descobrir uma tradução pro termo post). Mas no original em latim, que seria "Cogito ergo sum". O legal do dicionário em italiano que comprei é que, como o italiano é a língua mais próxima do latim dentre as línguas latinas (português, espanhol, francês, catalão, romeno e italiano, isso sem contar os infinitos dialetos em cada país), enfim, o dicionário italiano tem um apêndice só com termos e locuções em latim, o que é interessante pra caramba, pra quem gosta disso como eu. Mas não era por aí que eu ia.

Voltando à vaca fria, fiquei me perguntando como seria o famoso termo "cogito ergo sum" em outras línguas. E nessa hora a wikipedia é insuperável. Em poucos cliques você descobre que em eslovaco se diz "Myslím, teda som" embora eu não faça idéia de como se pronuncia isso. Em inglês: "I think, therefore I am". Em italiano "Penso, quindi sono" ou "Penso, dunque sono", o que dá na mesma. E seguindo essa linha de raciocínio me veio novamente uma dúvida que me surgiu muitos anos atrás quando eu ainda estudava inglês. E se o tradutor entendeu tudo errado?

Pense bem, pateta: em inglês o verbo to be, assim como em italiano o verbo essere tem dois significados, ser e estar. E alguém dirá "mas o Descartes era Francês, animal!". Eu sei disso, besta. E muito embora eu não saiba francês pra afirmar se o mesmo acontece com a frase original (se é que ela não foi escrita em latim mesmo), ainda assim a tradução pro italiano e pro inglês são ambíguas. É óbvio que o contexto da obra ajuda a definir melhor a escolha das palavras, mas eu imagino na minha maluquice se por acaso algum tradutor um dia não bebeu demais enquanto traduzia Shakespeare e entendeu o to be or not to be, that's the question erroneamente, quando o bardo inglês queria (ou quereria) dizer estar ou não estar, eis a questão.

Imagina quantas guerras e quantos mal entendidos no mundo ocorreram por erros de tradução. Imagina o trabalho do intérprete do Lula pra traduzir em outras línguas suas piadinhas futebolísticas. É passível de um desentendimento diplomático, tudo isso! E se o mundo não passa de um erro de tradução, meu deus!

Mas eu me divirto, na verdade. Embora nesse caso, não creio que a verdade seja outra. Contudo pode ainda ser diversa.

E tenho dito!

3 comentários:

  1. só isso explicaria muita coisa errada no mundo
    erros de traducoes

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  2. HAHSAHSHASHASHHAS
    velho, que erva mal fumada foi essa?

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  3. Você escreve divinamente!É uma delícia ler seu texto... Parabéns pelo dom!

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