quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O uivo


Na madrugada fria abro a janela do quarto. O rio em minha frente. O vento gelado me congela, mas me deixo ficar. E ouço ecos distantes, que confundem-se. Uns mais altos, outros mais baixos. As ruas estão desertas, os bares estão fechados, a pessoas se trancam no calor da solidão italiana.

Os ecos me intrigam. Olho o rio, que reflete luzes esparsas. Hoje fez sol. Amanhã? Nem a previsão do tempo sabe.

Amanhã é outro dia. Ontem voei sobre a torre de Pisa. Amanhã conquistarei impérios. Hoje foi o meu exílio. E eu não sei mais se volto pro espaço ou pro fundo do mar.

Pois meu nome é querer.

Pois meu nome é impronunciável. Pois meu nome é intraduzível.

E entre os bosques dos Alpes, nas neves eternas, com a lua ao fundo e o céu estrelado, ouve-se o uivo de um lobo. Um lobo que enxerga o mundo pelo alto. Um lobo que se esconde da vida. Um lobo que foge do medo e vê no futuro algo disforme, impreciso, que o atrai.


Um abismo.

E ele se chama urgência.

4 comentários:

  1. ai.... tinha me esquecido de como é bom te ler! (heheheh)... ou melhor, ler seus textos! (é que achei que tinha ficado tão bonitinho falar te ler! daí deixei!!!)... saudades de vc bergabebado que agora está bergadistante....
    bergabeijossssssssss de saudades ... Sa

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  2. E ai Berga! Que gostoso ler seu blog.
    E por ai, tudo bem?
    Agora começa o frio outra vez... esse ano vamos colocar calefaçao, hehehe.
    Bjo

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  3. Oi Talita! Tudo bem com vcs? e o Lèo Cabròn?

    Nem me fala do frio, ja to congelando aqui em Pisa...

    gde abraço! E apareçam por aqui

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