segunda-feira, 22 de março de 2010

A arte de ler

Eu tava aqui, perdido entre as fotocópias do mestrado, as minhas traduções e a bagunça metódica do meu quarto quando percebi que tenho uma quantidade gigantesca de livros aqui que comecei a ler e parei na metade, não por falta de interesse, mas simplesmente por que paro de ler por uma razão mais ou menos razoável - como dormir ou trabalhar - e quando posso retornar à leitura, me esqueço dela e começo outra.

Resolvi então listar, por pura falta do que fazer, ou melhor, por falta de tempo pra escrever algo melhor, resolvi elencar os tais livros aqui embaixo, com alguns comentários a respeito, isso se eu já tiver formado uma opinião a respeito:

L'italiano - lezioni semiserie (O italiano - aulas semi-sérias) de Beppe Severgnini: o autor é um famoso jornalista italiano e o livro é um manual bem-humorado de como escrever bem a língua de Dante. Pra quem estudou jornalismo, lembra muito um manual de estilo, com os erros mais comuns que a italianada comete na fala e na escrita. E percebe-se que cada exemplo que ele dá você ouve muitas vezes ao dia. Mas como diz o título, as lições são meio sérias. Pelo menos se aprende rindo.

Romanzi e Racconti (Romances e contos) de Italo Calvino: Obra completa de um dos maiores escritores italianos do século passado. São três tijolões que quero terminar de ler ainda esse ano. Calvino é um mestre dos contos e um dos autores preferidos de Zaratustra. Esse maluco eu já conhecia ainda no Brasil, com os livros O Cavaleiro inexistente e O castelo dos destinos cruzados (o último deu origem a uma música dos Engenheiros do Hawaii, o que provavelmente vai distanciar os leitores, ao invés de aproximá-los).

La luna e i falò (A lua e as fogueiras) de Cesare Pavese: O autor é outro grande escritor do séc. XX. É o primeiro livro que leio dele e realmente interessante. Conta a história de um italiano que fez fortuna nos EUA, retorna à sua cidade natal e reflete sobre as mudanças das pessoas, da vida e etc. O livro foi o último publicado antes do suicídio do autor e o personagem principal é sem dúvida seu alter ego. Recomendo.

La grande sera (A grande noite) de Giuseppe Pontiggia: Este livro até já comentei outro dia, escolhi ao acaso, sem conhecer nem autor nem obra, e acertei na mosca. O escritor é um grande experimentador da linguagem e como diz na contracapa, o livro é uma pintura impiedosa da Itália dos anos 80, uma sátira lúcida e amarga de uma sociedade feita de ilusões cheias e vazios reais. Estou ainda no início do livro, mas to gostando davvero.

Carta aos loucos de Carlos Nejar: Esse é brasileiro. Achei uns tempos atrás numa loja virtual, comprei e quando vim do Brasil trouxe comigo. Nejar é um poeta e, como sempre digo, um dos poucos que merecem o posto que ocupa na ABL. Esse livro no entanto é um quase romance. Quase porque, mesmo tentando escrever em prosa, o cara não consegue, o que se torna aquilo que chamam de prosa poética, uma coisa de louco mesmo, como já nos adverte o título. O conteúdo é denso e difícil de ler. Mas é bom, embora eu ainda prefira a coletânea de poemas que achei num sebo em Londrina, "De Sélesis a Danações". A única coisa que estraga é o prefácio do Paulo Coelho. Mas como já disse algum sábio, é bom que existam coisas ruins no mundo. Só assim podemos comparar com as boas e, desta forma, teremos certeza que as boas são boas mesmo.

Um excerto: "O verossímil é uma inverossimilhança que bateu com a nuca nalguma lâmpada. A nuca ficou acesa e a lâmpada se apagou".

Nuova grammatica italiana: Essa não preciso explicar porque parei no meio. Teoria é chato pra baralho.

Teoria e storia della traduzione: idem.

Crie planilhas inteligentes com o Excel 2003: Esse eu tava lendo quando não fazia nada além de coçar o saco e esperar a minha cidadania. Um dia, quem sabe, eu termino de ler. Quem sabe...

A arte de escrever de Arthur Schopenhauer: O cara é um dos mais importantes filósofos alemães. Este livro traz textos selecionados em que o autor fala sobre o próprio ofício e tece comentários desta coisa legal pacas que é escrever. Comecei a ler ainda no Brasil e parei na página 52. Mas como não me lembro de nada, provavelmente terei de recomeçar do zero.

Aprendendo a viver de Clarice Lispector: Esse não terminei de ler simplesmente porque se digere em doses homeopáticas. São microtextos e apotegmas da grande escritora brasileira, que se fosse viva e da minha idade, eu casaria sem dúvida. Indispensável.

A Bíblia do caos de Millôr Fernandes: Como o livro da Lispector, são aforismas e se consome tudo lentamente, mas com o estilo sarcástico e inigualável do autor. Recomendo.

Agora me desculpem mas devo voltar ao caos da minha lunática rotina, meus textos, minhas traduções, meus etcéteras inseparáveis.

E depois tem a cerveja, é claro, pois hoje é meu dia de folga.

6 comentários:

  1. eu juro que esse ano ainda vou ler um livro da lispector já e vergonhoso

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  2. Adoro a Lispector desde minha juventude...

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  3. Porra alemão! Muito bom. Engraçado que tu considera um, não lembro qual, acho que da Lispector, como "indispensável" e recomenda outros, sendo que tu leu pela metade! auhauhau. carai, eu li alguns pela metade, mas por serem chatos mesmos. aliás, tem dois clássicos que já falei que não gostei: um, é a própria lispector, mas acho que peguei o livro errado dela, porque era chato pracarai, li umas páginas, e desisti. outro é o dublinenses e o retrato de um artista qdo jovem, do james joyce, da um sono do baralho. agora, tens razão, pra ler teoria mesmo, só na obrigação. fui tentar pegar uns de teoria nas férias, sem obrigação nenhuma, não rendia, e logo largava e ia para um bukowski ou keroac...eehe. tem uns ai q tu tinha me falado q fiquei curioso para ler, como esse, do cara da ABL. ah, e leia jack london. martin eden foi um dos livros q li e mais me identifiquei na minha perra vida. abraço alemao!

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  4. Gostei de conhecer os livros que você ainda não terminou de ler. Quando terminar, não deixe de fazer uma resenha. Um abraço!

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  5. vai ter que incluir Shantaram =)

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  6. mas esse eu nem comecei ainda, ahah

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