"the problem, of course, isn't the Democratic System,
it's the
living parts which make up the Democratic System.
the next person you pass on the street,
multiply
him or
her by
3 or 4 or 30 or 40 million
and you will know
immediately
why things remain non-functional
for most of
us
I wish I had a cure for the chess pieces
we call Humanity...
we've undergone any number of political
cures
and we all remain
foolish enough to hope
that the one on the way
NOW
will cure almost
everything.
fellow citizens,
the problem never was the Democratic
System, the problem is
you."
C. Bukowski
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Leminski
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quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Dos tempos
O futuro
nada mais
é
que
um pesadelo
benigno
O presente,
um sonho
insuportável
O passado,
uma brincadeira
sem
graça
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Tempo
sábado, 24 de setembro de 2016
O quis assim o Destino
Quis o destino -
quem será o destino?
- que assim o fosse.
O destino o quis assim.
Destino, quem sois?
Quem dera o soubéssemos. Quem dera o entendêssemos.
Para o bem ou para o
mal,
assim o era.
Pois o destino possui razões que o próprio destino
desconhece. Desrazões ainda piores.
Ou maiores.
Eu cri, aprendi, soube, ri.
Chorei, perdi, cresci, arrependi.
Mudei, fiz, li, enterneci.
Briguei, pacifiquei,
o futuro vislumbrei:
lutei pelo que vi.
Dispus-me a.
Dizei-me, agora, vós
o quê
em
troca
recebi.
Dizei-me, ó
destino,
indecifrável enigma profundo,
a recompensa
da perseverança.
Dizei!
Pois o futuro
não nos lê,
e nos crê ainda
menos.
Dizei, ó sacripantas -
tu mesmo, destino ausente -
que sofrimento insistente
me deste por suportar
Que glórias divinas -
mentiras! -
prometeste-me
Destino, cruel
tu és,
como a gigantesca onda
destroçando o convés
do barco de minh'alma,
que se afoga sob meus
pés
Dizei,
sob a cruz emoldurada,
tudo o que sabeis!
Dizei,
sob juramento bíblico,
o que não sei!
Dizei,
entre a luz dos holofotes,
o que pensei!
Admiti,
se porventura
nosso acordo quebrei.
Mas dizei
o que precisas. É o que,
pois,
necessito para
viver.
Se o vinho o sangue representa,
se o trigo, o corpo transfigura,
dá-me o que minha sede alenta,
embriaga-me do mal de vossa usura.
Dizei, contudo, o que preciso,
pois desta forma viver não aguento.
Sejais, porém, breve e conciso,
para do mal livrar-me bem com teu uguento.
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terça-feira, 26 de julho de 2016
Melancolia
Estou de férias
Estar é um verbo muito amplo.
Gosto de estar.
O horizonte se abre quando se está.
Estou. E ponto.
E tudo o mais vive na formatação dos parágrafos.
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quinta-feira, 21 de abril de 2016
COMO PERDER A SI MESMO EM 7 ATOS*
I
- A Felicidade Inebriante ou A Vontade de Não-Ser
Nas
horas escuras de dúvida e temor e desejo de viver
Insurge-se
contra mim e me atropela
A
vontade de não-ser
Das
profundezas mais sombrias e execradas do meu pensamento surge ela,
fingindo
não-ser para ficar
Forçando-me
contra meu abismo e sucumbindo-me às suas vontades
A
vontade de não-ser toma conta de mim e me governa
Abusa
do meu corpo e do meu cérebro obtém o que quer e quando quer
Os
fins justificam seus meios sem meio-termo,
nem
devaneios e sem ao menos ligar para as conseqüências
O
ápice da vontade de não-ser inebria de uma forma o meu ser que,
por
estar vivo no outro dia posso considerar-me um vitorioso
Triste,
porém, é saber por vozes do além o que a vontade de não-ser
provocou em mais alguém
II
- Um Sentido Escondido
Assim
como sucumbo à vontade de não-ser sucumbo também à dúvida que me
dilacera atrás de respostas e de defesas para meu corpo a memória
castigada em sua via-crúcis semanal é pouco mais que nada: é uma
pegada na lama enquanto chove é uma gota de água na imensidão do
mar as escoriações, os odores, as sujeiras e as dores são parcos
indícios de coisa alguma as falas confusas, flashes de cenas que bem
poderiam ser de um filme, ou de um sonho, mais me atormentam que me
acalmam e a angústia de não ser ninguém me abraça e me acolhe com
seu calor, seu aconchego e suas canções de ninar
III
- Um Motivo Qualquer
Tudo
começa na hora do sonho que me excita pensamentos e imagens
Pessoas
e lugares desfilam em meu córtex e,
violento
e semi-adormecido, aceito dos delírios as provocações sem
pestanejar
Ou
então não é num sonho, é num convite, numa pergunta e perdido e
sem opção me atiro de cabeça na ignomínia desenfreada e sem volta
sem pensar
Ou
então é só, enquanto eu, pusilânime, me deleito na minha
necessidade e no meu vício de solidão que me impelem a ser quem não
sou sem questionar
Pode
ser um sonho acordado enquanto olho o horizonte fundo,
do
outro lado e aceito distanciar-me de mim sem piscar
Ou
são apenas desculpas para eu não precisar admitir minha covardia
perante a vida.
IV
- Um Estímulo Podre e Desleal
Uma
vez fora de mim qualquer bobagem torna-se grandiosa e qualquer olhar
transfigura-se em amor qualquer mulher em amante qualquer sussurro,
um convite
E
quanto mais me suicido, mais me maldigo por dentro e,
concomitantemente, mais ódio e raiva transbordam de mim e me
estimulam a mudar-me, ainda mais, a personalidade
No
final todos são procazes (inclusive o mais santo) e todos
suscetíveis a opróbrios tão voláteis quanto meu humor e tão
vazios quanto eu
V
- O Desespero Pós-Felicidade
O
ato de acordar talvez seja o mais amargo e acre depois da felicidade
inócua
Perdido
e sem ação, lamento e retorço as memórias e o corpo numa vã
tentativa de retroagir e, sem sucesso, resigno-me e sofro, enfim, o
castigo que mereço
Meus
fantasmas, sarcásticos, não perdoam nem mesmo meu estado de inação
e fraqueza
Meus
fantasmas e minhas sombras me subjugam e me desequilibram impiedosos
Meu
ódio é inversamente proporcional ao meu conhecimento e às minhas
conclusões
Mesmo
nosso julgamento das coisas não tem valor quando não se tem noção
do que se perde e do que se é
VI
- A Angústia Premeditada
Na
montanha e na caverna de meu desespero os corvos,
os
abutres e os urubus devoram a carne pútrida da minha felicidade
Morreu
em êxtase: ébria e dormitante
Morreu
desgostosa: só e iludida
Morreu.
Em
seu lugar nasceu uma angústia melancólica e sufocante cujo sabor eu
já sentira outrora
Senti-me
repetindo uma mesma vida
Revivendo
meu início, rebobinando e reiniciando a mesma fita
Senti-me
pedante como todas as redundâncias
Senti-me
enjoado como todas as repetições
Senti-me
tonto como tudo o que gira e não consegue parar
E
preso à essa angústia renasci igual e tão fútil quanto antes
Todas
as vidas que vivi e que vivo têm o mesmo gosto insosso e a mesma cor
amarelada
Todos
os dias em que me vejo no espelho enxergo uma caveira que acena e
ri-se de mim
Corro
para longe e, à medida que me afasto,
aproximo-me
mais do que tanto fujo e do que tanto temo: A minha verdade
O
único modo de não encontrá-la é esconder-me e, abraçado à
angústia, fingir não ser para ficar Viver outras vidas, mas ficar.
VII
- O Fim do Ser Enquanto Dono de Si Mesmo
O
que hei de chamar minha vida?
Eu?
O
que vivo?
Minhas
lembranças?
O
que penso?
O
que hei de chamar minha vida?
E
o que hei de chamar eu mesmo?
Quem
há de saber minha verdade, a não ser a própria verdade?
Estou
desenganado.
Já
desisti de ser eu mesmo.
Não
me reconheço em meus atos nem em minhas palavras.
Muito
menos no espelho
O
espelho da caveira claudicante deve representar os meus não-seres,
os
meus refúgios da verdade, mas não pode representar a mim!
Nego-me
a aceitá-la como meu reflexo, ainda que verdadeiro!
Antes
renegar o verdadeiro eu e tornar-me outro,
ou
sublimar-me no ar, a aceitar minha decadência e viver sem vida
como
um inseto ou poeira e perecer destruído mas com o orgulho de ser eu
mesmo!
Antes
não ter de aceitar minha alma - ou o que dela resta - de volta,
e
perder meu espírito,
e
sentir-me nu por dentro,
a
regozijar-me por morrer em pedaços mas com a alma intacta!
Antes
uma não-vida em um não-lugar a uma vida que não se percebe,
num
lugar que não se sente!
Agora
que a vontade de não-ser se apodera dos meus últimos pensamentos
deveras
aproveitáveis e das minhas últimas verdades e suspiros,
digo
adeus à vida e a Deus.
Agora
não sou mais eu,
nem
o intermédio: sou o outro.
Um
outro que não sabe quem é,
nem
porque é.
Mas
vive.
Desalentado
e indiferente a tudo,
mas
vive.
* Texto escrito por mim mesmo, no já distante 22/01/2003, com 21 anos: estudante, desempregado e sem perspectivas num breve futuro. Mal sabia eu o que aconteceria em poucos meses... É interessante ver como eu pensava àquela época. Minha evolução (ou involução, dependendo do ponto de vista). Fica o registro da péssima escrita do início do século, que deu origem à péssima escrita atual.
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quarta-feira, 2 de março de 2016
O retorno dos que não foram
Fui.
Mas cá estive
Todo este tempo.
Mas cá estive
Todo este tempo.
Fugi.
Pra longe,
Muito longe
Deste meu vento.
Pra longe,
Muito longe
Deste meu vento.
Escapei.
Das garras
Funestas
Do eu.
Das garras
Funestas
Do eu.
E aqui,
Nas amarras
Indigestas
Estou
Nas amarras
Indigestas
Estou
A questionar,
Na marra,
Os limites
Do tempo
Na marra,
Os limites
Do tempo
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Le poesie - Amelia Rosselli
Faccia nell'erba odori quel poco
che c'è da odorare. Sei stanco
vuoi dormire, ma non puoi. Le
rocce frastagliate prendono pose
sardoniche.
La morte è nell'aria, ti sfugge
solo per un poco. Quando torni
in pensione ti metti in ginocchio.
O vorresti. Ma non puoi.
Amelia Rosselli, p 421: Le Poesie
Face na grama cheiras o pouco
a ser cheirado. Estás cansado
queres dormir, mas não podes. As
rochas irregulares fazem poses
sardônicas.
A morte está no ar, te escapas
por um triz. Quando te
aposentas te colocas de joelhos.
Ou querias. Mas não podes.
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domingo, 30 de agosto de 2015
Documentário Charles Bukowski - Born into this
Pra quem gosta dos textos do velho Buk, documentário essencial. Vários vídeos com entrevistas com o próprio Bukowski e relatos de amigos e colegas. Dá pra ver melhor quem foi o velho safado.
Eis algumas frases tiradas dali:
You have my soul and I have your money
(Vocês têm a minha alma e eu tenho o seu dinheiro - dito para uma plateia durante leitura de poemas)
When I write I am the hero of my shit
(Quando escrevo sou o herói das minhas merdas)
Sex is something you do when you cant sleep
(Sexo é algo que você faz quando não consegue dormir)
Love is a fog that (dissipates) first daylight of reality
(O amor é uma neblina que se dissipa aos primeiros raios de realidade)
Love is a dog from hell
(O amor é um cão do inferno)
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domingo, 23 de agosto de 2015
COME ON IN!
welcome to my wormy hell.
the music grinds off-key.
fish eyes watch from the wall.
this is where the last happy shot was
fired.
the mind snaps closed
like a mind snapping
closed.
we need to discover a new will and a new
way.
we're stuck here now
listening to the laughter of the
gods.
my temples ache with the fact of
the facts.
I get up, move about, scratch
myself.
I'm a pawn.
I am a hungry prayer.
my wormy hell welcomes you.
hello. hello there. come in, come on in!
plenty of room here for us all,
sucker.
we can only blame ourselves so
come sit with me in the dark.
it's half past
nowhere
everywhere.
CHARLES BUKOWSKI
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vômito profundo
terça-feira, 21 de outubro de 2014
ESTAR
As
mãos tremem,
o
cansaço é mais
que
físico.
Aliás,
o cansaço
físico
é o melhor
dos
cansaços,
pois
sabe-se a causa
direta,
suas
consequências,
e
como tratá-lo.
O
cansaço psíquico,
mental,
é
o verdadeiro
cansaço,
é
a ruína de uma
pessoa,
são
os nervos
à
flor da pele,
e
o estresse,
o
caos do mundo,
na
mente
de
um vagabundo.
Perde-se
a noção,
perde-se
o norte,
e
todos mais
dos
pontos cardeais.
Não
quero a vida
como
um peso
a
se carregar.
Não
quero a vida
como
uma
eterna
luta.
Não
quero uma
luta
eterna
em
meus parcos
dias.
Quero
somente a paz,
a
tranquilidade,
a
magia de nada querer,
o
ócio alegre de estar,
apenas
estar,
sem
precisar
exigir
nem
ser
exigido.
Estar.
Não
importa
onde
nem
importa
quando.
Quero
estar
sem
metas,
estar
sem
ter
que
matar
clientes
diários.
O
sol, sob o
aspecto
do
estar,
é
não mais
que
um brilho
eterno
em
um retrato
de
Van Gogh.
O
brilho eterno
é
aquilo
que
nos dá
motivação,
que
nos atrai,
que
nos quer
sem
contudo
nos
atrapalhar
com
suas mãos
cheias
de dedos
e
seus dedos
cheios
de dados,
calendários
cheios
de
datas,
verdades
cheias
de mim.
Estou
cheio das
verdades
alheias
e
perenes
e
fatais,
quero
só
a
mente,
somente.
No
ar
No
ar
No
vento
ser
o
que
não
se
sabe
como
é.
Sou.
Somente
sou
no
estar
aqui.
Se
aqui
é
a
verdade,
que
seja
a
obviedade
do
não
o
remédio
para
o caos
do
mundo
em
mim.
Que
o não
seja
o
meio,
para
o
fim
glorioso
do
talvez.
Estar
é
o
que se
quer.
Entre,
abra
a porta, pois
entre
as
portas
há
um vazio, um
vão,
por
onde
vão
nossas
dúvidas.
estar
ou não
estar:
eis
a questão.
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poesia minha
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Olha como sorriem na foto...
Não tenho muito a dizer sobre esta eleição. Não conheço a fundo
Marina Silva: li seu programa de governo e tenho simpatia em algumas
ideias, esperança em outras, resumindo, porém, não concordo 100% com o
que diz.
Mas, por outro lado, conheço o PT e o PSDB. E o que se sabe é que a alternância no poder torna a democracia mais saudável, ou pelo menos é o que acreditamos e desejamos.
Mas, por outro lado, conheço o PT e o PSDB. E o que se sabe é que a alternância no poder torna a democracia mais saudável, ou pelo menos é o que acreditamos e desejamos.
Certezas: nesses 24 anos de democracia mais recente tivemos o falecido
PRN (Collor); Itamar (vice do Collor, que segundo minha modesta opinião
não deveria ter assumido. Se o presidente sofre impeachment, da mesma
forma deveria o vice); PSDB (FHC, por 8 anos); PT (Lula, mais 8 anos) e
mais PT (Dilma). Isso
sem falar do Sarney, que está por aí desde antes do golpe militar, e
sempre nas cabeças. É muito pouco para um país que se quer democrático, e
muita concentração de poder.
Dúvidas: Não sei o quanto Marina vai conseguir mudar, isso se ela realmente o quiser. Não sei até onde a aliança com o partido de Campos vai, e se isso pode minar seu hipotético governo a partir do momento em que se começar a fatiar o governo em cargos para aliado. Não sei também, como ficará o congresso e se essa aliança de partidos nanicos terá algum poder de fogo ao legislar. Se não tiver, ou Marina terá que se abrir (leia-se cargos) aos inimigos da eleição (PT, PSDB e agregados) ou...
A Pior das hipóteses: Marina, durante 4 anos (ou 5, como ela quer, se conseguir aprovar a nova lei eleitoral), isolada, sem maioria na Câmara ou no Senado, recebendo seu salarinho sem conseguir aprovar nada.
A pergunta é: queremos tudo isso de novo? Mudar é sempre arriscado, mas repetir o erro não é algo motivador. Sei que, caso eu decida mesmo votar em Marina Silva, ou qualquer que seja o candidato, votarei também em seus confrades para o legislativo, para que não pereçam no limbo do imobilismo
político. Amém
Chega-se ao ponto fatídico da questão: o presidencialismo, principalmente no Brasil, não funciona. Sempre fui adepto à República Parlamentarista, com um presidente como chefe de estado e um primeiro-ministro como chefe de governo, este último com a condição sine qua non de deter a maioria no congresso, sob pena de perder o cargo e gerar, automaticamente, novas eleições (para não penalizar, desta forma, o povo, os eleitores, que ficariam com um líder inerte por 4 anos, como ocorre aqui no país tropical).
Mas talvez ainda não estejamos preparados para tudo isso. Melhor nos acomodarmos e deixar tudo como está, não é mesmo?
Reflitamos sobre isso, pois pois...
Dúvidas: Não sei o quanto Marina vai conseguir mudar, isso se ela realmente o quiser. Não sei até onde a aliança com o partido de Campos vai, e se isso pode minar seu hipotético governo a partir do momento em que se começar a fatiar o governo em cargos para aliado. Não sei também, como ficará o congresso e se essa aliança de partidos nanicos terá algum poder de fogo ao legislar. Se não tiver, ou Marina terá que se abrir (leia-se cargos) aos inimigos da eleição (PT, PSDB e agregados) ou...
A Pior das hipóteses: Marina, durante 4 anos (ou 5, como ela quer, se conseguir aprovar a nova lei eleitoral), isolada, sem maioria na Câmara ou no Senado, recebendo seu salarinho sem conseguir aprovar nada.
A pergunta é: queremos tudo isso de novo? Mudar é sempre arriscado, mas repetir o erro não é algo motivador. Sei que, caso eu decida mesmo votar em Marina Silva, ou qualquer que seja o candidato, votarei também em seus confrades para o legislativo, para que não pereçam no limbo do imobilismo
político. Amém
Chega-se ao ponto fatídico da questão: o presidencialismo, principalmente no Brasil, não funciona. Sempre fui adepto à República Parlamentarista, com um presidente como chefe de estado e um primeiro-ministro como chefe de governo, este último com a condição sine qua non de deter a maioria no congresso, sob pena de perder o cargo e gerar, automaticamente, novas eleições (para não penalizar, desta forma, o povo, os eleitores, que ficariam com um líder inerte por 4 anos, como ocorre aqui no país tropical).
Mas talvez ainda não estejamos preparados para tudo isso. Melhor nos acomodarmos e deixar tudo como está, não é mesmo?
Reflitamos sobre isso, pois pois...
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Da chuva e da morte
A chuva é sempre uma imagem poética que dá audiência. Batida e rebatida, todos a usam e sempre funciona. Assim como entes etéreos e eternos como o tempo, o vento, a vida, a morte, o nada, e etc etc e etc e talz.
Chuva é sinônimo de Joinville. Há mais de dois anos descobri esta definição que não se encontra nos melhores dicionários. A morte porém ronda. E muito embora as metáforas sejam boas e quase sempre definitivas, quando a morte deixa de sê-la (uma metáfora), torna-se um peso.
Uma das metáforas da chuva é o choro. Chover é o mundo que chora. Alguém que chove por dentro, chora, copiosamente. A união de elementos eternos, a morte e a chuva. São tristes. Literariamente eficazes. Humanamente insuportáveis. Céu e inferno, dois lados da mesma moeda.
Desde 2008, vejo a morte de perto. E a cada morte, um pouco de mim também morre. A intolerância, embora ainda de tamanhos incomensuráveis, diminui. É a vida a preparar-nos ao nosso fim. Ashes to ashes. Até lá estaremos acostumados.
Sempre relutei em admitir, mas a morte me fez escrever a coisa mais linda que realizei na minha vida, mas que se perdeu nesta labirinto chamado internet. Era um texto sobre a morte de meu avô e do nascimento de meu sobrinho, quase concomitantes. Espero um dia reencontrá-lo.
Foi triste demais escrever este texto. Lembro de ter chorado um monte após terminá-lo, e parece que a tristeza ali descrita e escancarada abarca todas as mortes posteriores que vivi. Presenciei mortes que em mim tiveram impacto semelhante a esta primeira, mas que por descaminhos incompreensíveis, não originaram nenhum texto.
A morte é uma merda. Um ser (um ser?) desprezível. Sou sempre um dos primeiros a questionar a morte, ou qualquer outra verdade eterna. Mas sem provas irrefuáveis, temos que admitir: ela existe. E fede pra caralho.
Minha esperança não é, como pensam, a imortalidade. Deixo isso para os tolos. Não penso, nem mesmo, na ubiquidade. A onisciência, para mim, é uma ostentação supérflua.
Quero somente, antes de minha morte, reecontrar o texto que escrevi. É a minha essência. Aquilo sou eu.
Chuva é sinônimo de Joinville. Há mais de dois anos descobri esta definição que não se encontra nos melhores dicionários. A morte porém ronda. E muito embora as metáforas sejam boas e quase sempre definitivas, quando a morte deixa de sê-la (uma metáfora), torna-se um peso.
Uma das metáforas da chuva é o choro. Chover é o mundo que chora. Alguém que chove por dentro, chora, copiosamente. A união de elementos eternos, a morte e a chuva. São tristes. Literariamente eficazes. Humanamente insuportáveis. Céu e inferno, dois lados da mesma moeda.
Desde 2008, vejo a morte de perto. E a cada morte, um pouco de mim também morre. A intolerância, embora ainda de tamanhos incomensuráveis, diminui. É a vida a preparar-nos ao nosso fim. Ashes to ashes. Até lá estaremos acostumados.
Sempre relutei em admitir, mas a morte me fez escrever a coisa mais linda que realizei na minha vida, mas que se perdeu nesta labirinto chamado internet. Era um texto sobre a morte de meu avô e do nascimento de meu sobrinho, quase concomitantes. Espero um dia reencontrá-lo.
Foi triste demais escrever este texto. Lembro de ter chorado um monte após terminá-lo, e parece que a tristeza ali descrita e escancarada abarca todas as mortes posteriores que vivi. Presenciei mortes que em mim tiveram impacto semelhante a esta primeira, mas que por descaminhos incompreensíveis, não originaram nenhum texto.
A morte é uma merda. Um ser (um ser?) desprezível. Sou sempre um dos primeiros a questionar a morte, ou qualquer outra verdade eterna. Mas sem provas irrefuáveis, temos que admitir: ela existe. E fede pra caralho.
Minha esperança não é, como pensam, a imortalidade. Deixo isso para os tolos. Não penso, nem mesmo, na ubiquidade. A onisciência, para mim, é uma ostentação supérflua.
Quero somente, antes de minha morte, reecontrar o texto que escrevi. É a minha essência. Aquilo sou eu.
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quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Jogatina
Olhando de frente, vê-se dois prédios, um muito próximo ao outro. Vê-se que o da direita é mais antigo que o da esquerda e este, por sua vez, um pouco mais baixo que o primeiro.
A proximidade entre os dois prédios causa fenômenos no mínimo intrigantes. graças a isto, os apartamentos de baixo do prédio da direita não recebem nem um pingo de sol durante o dia (talvez algumas gotas com o sol a pino). E, por coincidência do destino ou por mera sacanagem do pedreiro, os apartamentos de ambos os prédios encaram-se frente a frente, sacada a sacada, janela a janela, na mesma altura. Se existir um voyeur entre os vizinhos, é o local indicado para bisbilhotagem anônima. A rotina escancarada elevada à última potência.
É ali onde eu, Zaratustra, habito. A minha caverna atual.
Recentemente mudou-se uma velhinha para o apartamento que fica em frente ao meu. Muito me fazem falta os antigos inquilinos, pois descobri que era dali que vinha o sinal wi-fi que eu emprestei por muitos meses. Infelizmente descobri somente quando sumiram.
Após alguns meses desocupado, mudou-se uma velha para o referido apê. Provavelmente não pode ou não gosta de pegar sol. Assiste pouca TV, e fuma bastante na sacada. Mas não vi nada disso. Quem me contou foi o voyeur do apê de cima.
Dias desses, distraído acabei por observar o apê da velhinha: ao redor de uma mesa redonda forrada com veludo verde, 4 ou 5 outras idosas, cada uma com muitas cartas em cada mão, sérias, numa jogatina ferrenha que deveria valer o ingresso para o baile da feliz idade. Não identifiquei o jogo, mas a coisa era séria, pois vi à tarde, saí de casa e voltei à noite e ainda estavam ali.
Não parece ser pôquer, ao menos não vejo fichas. Se fosse eu ia entrar na roda pra rapar a mesa das anciãs. Deve ser canastra ou pif. Sabe lá.
Seguidamente se reúnem, mas creio que ultimamente a coisa tem sido mais frequente. Anteontem ali estava, hoje também. Não me surpreenderia se estivessem há três dias seguidos ali, estáticas, uma tentando arrancar das outras a casa, o carro perdido na rodada anterior. Ou o ingresso pro camarote no baile de sexta à tarde.
Enquanto o mundo gira, a vida segue e outra rodada recomeça. O eterno retorno dos ases. Nesse momento porém uma percebeu que estou olhando... melhor disfarçar. Sob meus óculos escuros, às 23h, ninguém deve perceber que as observo.
Ela avisou as outras. Todas me encaram agora, com olhares ameaçadores. Mas velhinhas com olhares ameaçadores são sempre engraçadas, e me escapa uma risada. Agora mexem na bolsa. Devem procurar um guarda-chuva pra jogar em mim. Eu rio enquanto faço gestos imitando um jogo de cartas e abro mais uma cerveja.
Quando olho novamente, três armas na sacada apontando pra mim, a raiva pulsa em seus olhos. Meu último desejo?
Que a cerveja estivesse gelada.
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013
A invenção da ubiquidade
Em
fevereiro de 1999 tive a satisfação de poder assistir a uma semana
literária ocorrida em Buenos Aires e dedicada ao centenário do
nascimento do escritor argentino Jorge Luis Borges. De todos os
eventos, o que mais me agradou foi a fala do parceiro e amigo de
Borges, o escritor Adolfo Bioy Casares.
Durante
uma de suas intervenções, em um debate sobre o livro O Aleph
(que por coincidência calculada pelo próprio autor – ou por
uma sutil ironia do destino – completava cinquenta anos de
lançamento naquele mesmo ano), o escritor pôs-se a relatar um fato
ocorrido em sua juventude na década de 30, poucos anos após ter
sido apresentado a Borges .
Ainda
que com uma inevitável infidelidade vocabulária e linguística
(graças à língua de origem, o espanhol, e aos anos que já se
passaram desde então), reproduzo, na mais sincera e imparcial
fidedignidade, possível o relato de Bioy Casares. Ei-lo:
“É
a primeira vez que conto este episódio a alguém. Nem mesmo minha
falecida esposa, Silvina, jamais soube do acontecido.
Após
uma noite de divertimento entre vinhos e algumas garotas, no meio da
madrugada encontramo-nos a sós em um bosque. Estávamos eu, Borges e
alguns amigos jornalistas e escritores, caminhando, conversando e
rindo de nossas histórias patéticas, certamente já ébrios, quando
sentimos uma garoa fina e breve. Em nosso estado não nos foi
possível perceber, num primeiro momento, nada de estranho ao redor.
Seguimos
até sentirmos novamente a mesma garoa, vinda após o ruído de algo
sendo atirado em um lago, como um peixe ou uma pedra. Apesar de
estarmos longe da cidade, nas redondezas não existia curso d'água
algum. Demos, por fim, de ombros e caminhamos por mais uns dez
minutos, talvez, até sentirmos de novo a garoa, subitamente após o
estalo d'água. Paramos, olhando-nos intrigados. Mais um estampido e
eu e Borges notamos uma gota que caía e, em frente aos nossos olhos,
diminuía de velocidade, retomando em seguida seu movimento elíptico
para cima.
'Estou
vendo coisas', pensei. Poderia ser a ressaca, o delírio. Mas não.
Era a realidade. E as gotas, também reais, respingavam em nós
vindas de cima, ignorando o que chamava-se até então de força
gravitacional. Eu estava perplexo, assim como todos os outros colegas
ali presentes, mas Borges sorria. Parecia saber do que se tratava.
Ao
olharmos para cima, vimos o inacreditável: havia um lago sobre nós,
de onde os peixes pulavam e, após suas aterrissagens – de ponta
cabeça – as gotas saltitavam em nossas faces descrentes. Foi
quando nos demos por conta: estávamos em um ponto onde podíamos
interagir com inúmeros locais concomitantes, complementares,
simultâneos e, ao mesmo tempo, absurdos e inverossímeis.
Devo
adverti-los que o absurdo e a inverossimilhança destas paisagens se
resumiam no fato da impossibilidade delas coexistirem daquele modo,
dentro do que conhecemos como mundo, e do que supomos seja a
realidade (seguindo as 'leis' que aceitamos, durante a existência
humana, como regentes do universo). Naquele exato instante, contudo,
aquelas paisagens eram tão naturais e críveis como qualquer
estímulo visual cotidiano.
Podiámos
vê-las e tocá-las, mas não nos era possível crer em nossos
sentidos. Tudo se completava e se desmentia diante de nossos olhos
incrédulos. Borges conhecia aquele lugar, e ali nos trouxera,
sorrateiramente. Ele sorriu, sugerindo uma condescendência amistosa
e cúmplice com nossa ignorância.
Após
este dia, nunca nenhum dos presentes retomou este assunto. Era como
um segredo compartilhado apenas com olhares que, caso revelado, seria
certamente tomado por uma alucinação coletiva. Embora repleto de
testemunhas, jamais poderia ser levado a sério. Tentei algumas vezes
voltar ao local, mas nunca reencontrei o caminho. Eu era apenas um
jovem, nos meu vinte e poucos anos, e minha memória relembra o
episódio como uma invenção fantástica, um sonho, uma paisagem
surreal criada pela minha cabeça, inalcançável, ininteligível.
Mas, apesar de tudo, ainda palpável.
Em
1949, uma década depois e no mesmo ano em que completou cinquenta
anos de idade, Borges lançou seu famoso livro de contos O Aleph.
Algumas coisas então começaram a se explicar.”
Findo
o relato, os presentes estavam estupefatos. Não acreditavam no que
acabavam de ouvir, mas o modo como foi contado fora tão eficiente
que chegou a convencê-los do contrário.
A
amizade entre os dois grandes escritores é sabida, mas a origem do
Aleph continua um mistério.
No
prólogo para a edição inglesa de 1970, Borges define este “objeto”
assim: “o que a eternidade é para o tempo o Aleph é para o
espaço”. No conto, o narrador o descreve como uma esfera de mais
ou menos três centímetros. Por outro lado, a fala de Bioy Casares
menciona paisagens concomitantes e, ainda por cima, palpáveis. Qual
das versões torna-se mais convincente?
Tomando
como premissa que o local descrito exista mesmo e tenha inspirado
Borges, é nítida sua intervenção literária ao transformá-lo em
uma esfera: um objeto sem início e sem fim que simboliza, de modo
esteticamente perfeito, assuntos caros à sua obra, como o infinito,
o absurdo, o fantástico.
E
Bioy Casares, teria querido brincar com o misticismo em torno do
célebre conto? Nunca saberemos o que realmente se passou: se a
verdade, uma invenção, uma brincadeira ou se foi apenas mais um
jogo literário de dois mestres, que viam a realidade como apenas
mais um dentre vários gêneros literários.
Bioy Casares relatou esta
história, pela primeira e única vez, em fevereiro de 1999. Em oito
de março do mesmo ano, veio a falecer. Eu, contudo, nunca estive em
Buenos Aires. Mas pude presenciar seu belo discurso. Apesar do tempo
que passou desde então, lembro-me como suas palavras soaram
verdadeiras, e provavelmente o eram. Não me recordo, contudo, se eu
estava diante de uma esfera ou de infinitas paisagens. A emoção do
momento abarcou minhas lembranças. Mas posso dizer, sem a menor
sombra de dúvida, que eu tinha o universo diante de mim.
(Imagem: Jacek Yerka - "Krysia's Garden")
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domingo, 29 de setembro de 2013
Delírio
Eram seres
de sons estranhos
de vidas tortas
lugar algum
Parecia
mas não era um sonho
era um delírio
do cão bebum
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013
The rush of the red dust - An ode to the toxic smoke
When I take off my glasses
the world seem to rest
my head
oh yeah
my heavy head
becomes lighter
and starts to fly
Long and long and long
live
life
leave
me
leaf
leaves
liver
long
live
Liv...
And I'll be there
to catch you,
baby
The world and the dust
that burns and burns and burns
The dust
must be some kind of
hidden metaphore
of an imaginary life
It flies and blows and goes
pushed by the wind
as the old singer sang once
Yeah
I must be getting old, man
Incredible and
melancholic.
Unavoidably
old.
I wish I could
- as (or with) the red
dust -
fly
I wish
I could be
that noble.
But I ain't.
High temperatures,
Farenheits,
Celsius,
Kelvins,
High temperatures,
Highs and lows,
High hopes.
But
at the very end
it
all becomes
dust.
Again.
the world seem to rest
my head
oh yeah
my heavy head
becomes lighter
and starts to fly
Long and long and long
live
life
leave
me
leaf
leaves
liver
long
live
Liv...
And I'll be there
to catch you,
baby
The world and the dust
that burns and burns and burns
The dust
must be some kind of
hidden metaphore
of an imaginary life
It flies and blows and goes
pushed by the wind
as the old singer sang once
Yeah
I must be getting old, man
Incredible and
melancholic.
Unavoidably
old.
I wish I could
- as (or with) the red
dust -
fly
I wish
I could be
that noble.
But I ain't.
High temperatures,
Farenheits,
Celsius,
Kelvins,
High temperatures,
Highs and lows,
High hopes.
But
at the very end
it
all becomes
dust.
Again.
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Acabou a luz
Acabou a luz.
Quando a luz
acaba
o mundo parece
descansar.
Acabou a luz.
E a luz da chama
da vela
me chama.
Mas nem sempre se vê.
Acabou a luz.
E pelas janelas
vê-se o mundo apagado.
Vê-se o mundo.
Só.
Quando acaba a luz.
Acabou a luz.
E quando ela volta
a um nada me reduz.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Apotegma
"O problema do Brasil é que as leis são compridas, mas não são cumpridas"
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segunda-feira, 4 de junho de 2012
Antipasto
Não mais verão,
inverno,
inferno!
E o verão se foi
com os dias que se foram.
Que se fodam!
Veremos, então,
se eles verão
o verão
que virá
com os dias que virão.
Veramente...
~ Z ~
Anos atrás fiz um poema parecido com o acima. De 23 de janeiro de 2005. Ei-lo:
É verão e o sol quente é como os dias que virão.
Como eles verão o verão dos dias (e das noites) que viramos?
Não se sabe ao certo.
O amanhecer do sol, nascer no verão...
veremos dias na manhã do amanhã?
Virei a página, varei a noite, verei o luar do verão que se foi.
Verão a página do verão à noite.
Como verão os dias da primavera? Como o frio do inverno?
Comoverão?
Serão os dias? Como os verão?
Serão os dias como o verão?
Virão os dias?
Deverão?
Veremos.
Sete anos atrás. Eu, ébrio já, procurava um destino, que ainda procuro, embora, muito embora agora eu esteja deveras mais próximo. Àquela altura nem formado eu era. Eu era um qualquer em busca de algo desconhecido. Melhorei um pouco, vivi um pouco. Porém vocês, meus fantasmas, hão de concordar que o mundo, assim como tudo, é cíclico e eternamente retorna, como vê-se pelos versos tortos acima transcritos.
Fiz inúmeras coisas deixadas pela metade, outrossim, várias e inúmeras coisas me deixaram pela metade. Porém o tempo passa e ao mesmo tempo é eterno e é cíclico. Pois envelhecemos, e ele passa. Pois o tempo não envelhece, e é, desta forma, eterno. Pois os anos e as estações se repetem e, vós vedes, é cíclico.
A unicidade e a incongruência trina e una do tempo. A afirmação, a negação e a transposição da verdade, no tempo. O tempo ceifa o vento. O tempo, o tempo, a incógnita suprema. Demasiado simples, demasiado complexo.
Demasiado.
E nós, aqui, a indagar-nos. Ao invés de beber, em um bar.
~ Z ~
Vamos, como o tempo que só vai. E o tempo foi indo, indo, indo... e iu!
Sei das minhas limitações. Reconheço meus defeitos e tento ao poucos torná-los mais suportáveis aos outros e a mim.
Acusando-me assim obtenho subitamente vossa compreensão e comiseração com minha vil situação atual. O compadecimento alheio é facilmente conquistado. A compaixão encontramo-la nas esquinas mas lúgubres. E assim conseguimos a força que nos faz sobrepor pequenos e intangíveis obstáculos.
Toda essa enrolação é pra dizer, em palavras bonitas, que como prometido neste post, DEVO terminar os relatos de minha viagem pela Europa antes de seu aniversário de 2 anos. E o farei, visto que os dois anos completar-se-ão em agosto e férias me aguardam no próximo mês, onde poderei visitar amigos paranaenses e parentes gaúchos, deixando, contudo, o coração em Santa Catarina.
É, porém, o destino escrito e deve ser seguido, sob pena de intempéries e impropérios das mais variadas formas.
Despeço-me com um gole do meu uísque que, como eu, treme de frio nesta madrugada insólita de chuva eterna. Esta chuva, que passa, como o tempo, que retorna, como o tempo, e que, como o tempo, infinita é.
Saluti!
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Mochilão na Europa parte X - Alles gut, mein frau!
![]() | |
| Tiergarten |
Meus fantasmas já não são mais meus: assombrarão outras pessoas agora. Desistir é uma fraqueza, característica comumente inexistente nos fantasmas, mas a espera angustiante e indefinida da continuação deste maluco e despedaçado relato transforma até a mais feroz das assombrações em pusilânime vítima do tédio. E o tédio, até os Deuses o sabem, é cruel e não perdoa.
Deixando, contudo, os Deuses de lado, que já se ocupam bastante de outros assuntos verdadeiramente importantes, voltemos ao relato, inacabado (como se uma novidade fosse), cujo último capítulo, publicado em outubro do ano passado, ninguém mais lembra. Da minha viagem, minha memória, que era de vidro, se quebrou. Só sei os lugares que visitei em Berlim porque relatei-os no último post. Mas talvez mesmo naquele texto eu os tenha inventado, portanto o que se lerá a seguir trata-se somente, e nada mais, que ficção.
A ordem dos dias e dos acontecimentos não refletem a realidade. Passou-se mais de um ano e espero terminar em breve este relato maldito, pois minha consciência pesa a cada vez que tento lembrar-me do que, na memória, já não encontro mais. Por isso crio tudo, com os mapas em minha frente, a única coisa palpável desta viagem que a Gulliver causa invejas.
Mas, como eu ia dizendo no último post:
Schloss Charlottenburg, Tiergarten, Brandenburger Tor, Friedrichstrasse, Alexanderplatz, o Muro de Berlim. Todos esses lugares existem, eu sei. O meu mapa diz isso. E, como eu mesmo afirmei que os visitei no último post, se eu não acreditar em mim mesmo, em quem poderia?
Sei que fui em todos, mas não me lembro a ordem. Finjamos, então, que eu tenha ido nesta ordem mesmo. Vejamos: enquanto minha anfitriã ia ao seu trabalho, peguei o metrô e dirigi-me ao metrô, peguei a linha U2 que leva até ao Schloss Charlottenburg. Burro fui, porque se seguisse mais um pouco na mesma linha, desceria no grande Olympia Stadion, o famosíssimo Estádio Olímpico de Berlim, onde poderia ter tirado belas e inúmeras fotos, que de nada adiantariam graças à prematura morte de minha máquina fotográfica antes do fim da viagem.
Desci na estação Richard Wagner Platz, se não me engano (a partir de agora abster-me-ei de usar o termo "se não me engano", visto a grande possibilidade de enganar-me. Pressupõe-se, doravante, que estou sempre enganado). Dali, caminhei alguns metros pela Otto-Suhr Allee, admirando a arquitetura alemoa e as alemãs arquitetônicas, até chegar na Spandauer Damm, que me levou diretamente ao Schloss (Castelo) Charlottenburg.
![]() | |
| Schloss Charlottenburg |
Dei uma volta ao redor, mas decidi não entrar. De qualquer forma, era um belo castelo, embora eu tenha visitado alguns mais bonitos em Viena, em uma viagem de 4 dias que fiz para visitar Bratislava, a capital da Eslováquia, e Viena, capoluogo da Áustria (viagem esta que talvez, um dia, eu conte. Por sorte, tenho fotos, que servem de muletas à minha memória).
Decidi então, por um golpe de azar, ir até a estação do metrô Zoologischer Garten e ir a pé até a famosa Brandenburger Tor, passando pelo meio do Tiergarten, um gigantesco parque no coração de uma das maiores cidades europeias. Posso ter perdido minha máquina e minha memória, mas minhas pernas dóem ao lembrar desta decisão. Custou-me, certamente, alguns músculos de meu joelho. Fui-me, porém, inconsciente dos perigos que me esperavam pelo caminho. Primeiramente, até chegar à Strasse des 17 Juni, a avenida que corta o Tiergarten de leste a oeste, devo ter demorado quase meia hora. Em seguida, até atingir o Siegessaeule Victory Column, mais meia hora. Ali comecei a ver onde tinha me metido. Muito embora em meu mapa tudo coubesse em dois dedos, vi que a fatiga seria enorme. A Victory Column ficava, em meu mapa, a um terço do caminho até o Brandenburger Tor. E, se até ali eu levara uma hora quase, imagine até o final. Decidi, pois, pegar o primeiro ônibus que passasse. Caminhei com calma, olhando volta e meia para trás, esperando o momento de acenar ao motorista para parar. Porém, para tristeza minha, nenhum ônibus passava.
No desespero que a sobrevivência impõe aos desvalidos, aceitei mentalmente até mesmo a hipótese de pegar um táxi, alternativa extremamente cara e fora do planejado nesta viagem, mas que meu corpo exigia, visto o desgaste não programado e, considerando ainda, que eu estava pouco além da metade de minha viagem e energias eram necessárias para chegar ao final e poder relatar tudo, como ora estou relatando aos fantasmas de meus fantasmas. Entretanto, táxis eram como discos voadores, existiam somente na minha imaginação. Em todo este tempo, não passou nenhum em um ponto turístico dos mais visitados na Alemanha. (Em minha próxima vida vou ter um táxi nesta avenida. Ficarei rico com os turistas desavisados que por ali passarem).
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| Pequeno trecho da Strasse des 17 Juni por mim percorrido a pé. (Beeem) ao fundo, Brandenburger Tor. |
Mas, como diria o grande e já falecido José Saramago, o que não tem remédio, remediado está. Fui-me a pé até o dito Brandenburger Tor. Ali sim, em meio a uma multidão de turistas malditos, fatigado, com as pernas doloridas, avistei ônibus para turistas, aqueles clássicos de dois andares, e com ele visitei os pontos famosos de Berlim, dentre eles, todos aqueles listados no início deste relato.
Já no início da viagem, por uma das ruas que cortavam o fatídico Tiergarten, o guia turístico relatava, tranquilamente os pontos turísticos pelos quais passávamos, citando nomes, história e etc desses locais, até que disse, como se estivesse lendo um texto, em um tom tranquilo, não olhem para a esquerda. Obviamente, todos os turistas olharam, e viram um bando de alemão pelado. Tratava-se de um setor do parque para os praticantes de nudismo, no centro da cidade. Os americanos ali no busão presentes sussurravam "oh my god!", os eventuais sul-americanos riam, e os europeus nem bola. Os japoneses tiravam fotos, obviamente.
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| Alemoada pelada, nem aí pra paçoca |
A alemoada gosta de ficar pelada. Vi isso também em Colônia, quando andei num teleférico que, coincidência ou não, passava por cima dum parque de nudismo. Aliás, quem gosta de cerveja e de ficar pelado tem que ir pra Alemanha. Mein gott!
Sinceramente, não lembro muito mais além disso de Berlim. Fui no Muro, ou nos restos dele chamado de East Side Gallery, e não passa de partes que permanecem em pé, devidamente pintados e grafitados por artistas de todas as partes do mundo. Fui ao checkpoint-charlie, fui à Alexanderplatz, mas não lembro de nada. Recordo-me, porém, que em meu último dia na Alemanha minha anfitriã roubou a bike da sua colega de casa e fizemos um tour pela cidade, coisa que relatei no post anterior, o que demonstra a falta de lógica e de ordenação dos acontecimentos. Saindo de sua casa ainda vaguei por algumas horas em Berlim, decidindo se ficava um dia a mais na cidade para curtir uma verdadeira balada ou se me mandava pra Praga, capital da República Tcheca. A chuva interminável que desabou sobre a capital teutônica decidiu por mim. Seis (ou foram quatro?) horas depois, chegava eu em Praga: depois de passar pela Bélgica, a terra das loiras (as melhores e mais variadas), pela Suécia, a terra das loiras (as mais encorpadas), pela Dinamarca, a terra das loiras (as mais simpáticas), pela Alemanha, a terra das loiras (as tradicionais), acabara de chegar na República Tcheca, a terra das loiras (as mais bonitas e mais baratas, não necessariamente nesta ordem). Mas tudo isto será devidamente explicado nos próximos relatos, da mais bela cidade europeia que visitei, a mais surpreendente, a mais exuberante e, por incrível que pareça, a mais barata também, onde pude saborear quitutes nunca antes vistos, adentrar castelos gigantescos, embebedar-me em bares subterrâneos, provar cervejas mais baratas que água e ainda assim saborosas e, acima de tudo, conhecer a cidade onde Kafka nasceu e viveu e onde Einstein, na mesma época, lecionava e frequentava os mesmo saraus literários do escritor tcheco, nos longínquos primórdios do século XX.
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| Praga |
Continua no próximo post.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
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